quarta-feira, 27 de julho de 2011

LABIRINTO

Agruras,

amarguras.
Medo,
de novamente,
me perder
nesse labirinto
que me tornei,
que, sempre,
me torno
quando não encontro gratidão,
gratidão de palavras,
de cumplicidade,
de olhares,
de sentimentos
que de mim fogem.
Não ficam espreita
do há de vir,
do que há para se sentir,
de que valsa bailar.
Só receios,
arrepios,
fugas,
mortes.

terça-feira, 12 de julho de 2011

VENTO FORTE

O Vento tateia o meu rosto.
Sussura no meu ouvido.
Diz que voa pelo planeta
e no mar vai se banhar.
Na tentativa de encontrar aquela
que sua foi um dia.
Vento forte.
Sudoeste. Noroeste.
Volte do Alto Mar
e venha para a areia da praia.
Para comigo brincar,
acariciar
e nos meus desejos,
talvez, quem sabe,
os teus desejos encontrar.

sábado, 10 de abril de 2010

VIDA

Vida fútil,
Inútil,
sem sol.

Vida bela,
aquela que segue
ao sentimento
e não à dor.

Vida ribeira,
mansa
e certeira
que segue o Rio devagar.

Vida altiva,
na busca da Luz,
do Sol.

Vida humana,
temes o fim
e esqueces
que em ti encontra-se o atalho,
o gérmen, o ínicio,
o pulsar, o sopro
da outra vida,
que um dia viverás.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MÃE

Meu porto de chegada.
Meu porto de partida.
No aconchego,
do teu útero,
uma janela para a vida.
Na saída de tuas entranhas,
a fragilidade de um ser recém formado,
que de ti precisará por todo o sempre,
por todas as vidas.

Mãe,
Espírito de Luz,
Espírito de Vida.
Estarás compromissada
por toda a sua existência.
És a enviada de Deus
para viveres a maternidade
e instruíres teus rebentos
para um Novo Mundo formarem.
E dares a cada um a dose exata do Amor,
que de ti transborda,
que em ti respira.

Mãe.
És o único ser que possui o poder de gerar,
dentro de ti, a vida.
Como a Terra gera a Natureza,
da qual fazes parte.
És Digna.
És Luz.
És como Maria
que, também, gerou seu filho amado
para se transformar na maior Luz vista neste planeta.
Tu, bem que tentas transformar o que gerastes num ser de bem.
És Única.
És Divina.
És Mãe.
És Mulher.

Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2009
Código do texto: T1574795

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A PAIXÂO

Saudade repentina que me dá
Ao sentir, que um dia
Estive com ela a me rodear
Éramos um
Mesmo sendo dois.
Éramos felizes
Mesmo quando a tristeza nos abatia
Éramos vigorosos
Cheios de sonhos
Ilusões. Fantasias.
Para mim eras meu breque
Meu porto seguro
O ombro onde me recolhia.
Para ti
O menino grande
Que por tudo sentia e sofria.

O tempo passou...

Saudade repentina que me dá
De ouvir-te falar
De sentir-te de novo a me rodear
E eu ter de só perceber-te
E contentar-me com a saudade
E o amor que ficou
Em nossos corpos e emoções.

Lá atrás,
No tempo...
No tempo que passou.

Publicado no Recanto das Letras em 17/02/2009
Código do texto: T1444285

sábado, 8 de novembro de 2008

REFLEXÕES

Ao olhar o Sol,
vi o esplendor dos seus raios
a rodear a manhã que com ele se levantava.
Ouvi os sons
que com ele acorda
ao observar o vulto do seu clarão.
Estasiei-me
ao sentir ao meu redor
toda a Natureza a conspirar
para que especial esse dia fosse.
Os pássaros se comunicavam
a entoar belas canções.
A brisa em meu rosto soprava
sua suavidade primaveril.
O Mar com águas tranqüilas
espelhava-me e refletia a Luz Solar.
O dia ganhava horas e se movia.
Aos poucos,
o movimento crescia,
fazia o dia ebulir,
ganhar mais horas.
Amadurecer.
Os seus sons
a se modificarem.
No céu,
diamantes a brilharem.
Hora do dia adormecer.
Dar lugar à Noite
com seus sons
e seres específicos
para que amanhã repita o ritual
de acordar a vida, o belo, a existência.

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2008
Código do texto: T1272379

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A ESCOLHA

Mil caminhos andei
À procura daquele que me fizesse te esquecer
Caminhos tortuosos
Foram os que encontrei
Cheios de bifurcações
Cruzamentos
Sem saída
Sem volta
Neles a tudo conheci
Em todos esbarrei
A tudo dei trela
Vivi
À margem
Andei na contramão da vida
Naquele momento
Minha vontade não existia
Estava inerte
Apagada
E eu brilhava
Sem o Sol na cabeça
Só nuvens carregadas
A me rodearem
Só depois consegui fazer uma escolha
Escolha difícil que quase me levou
Me deixou na escuridão
Mas dentro desta escuridão
Vi uma Luz
Só a mim chamava
Só a mim desejava
Uma Luz que me iluminava
O corpo e a mente doentes
Uma Luz que me trouxe de volta
De volta à Vida
Ao mundo
Aos teus braços
A Você.

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2008
Código do texto: T1268839

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A VISITA

Há tempos não acontecia.
Parecia que o mundo estava estagnado.
Eu, de um lado.
Eles, do outro.
Sem se tocarem.
Imóveis.
Só os sentimentos,
só os pensamentos,
corroíam a nossa existência.
Existência maculada
por sensações
que não deveriam ser reveladas.
Maculada por um dos lados.
O lado que já se desconhecia,
que se perdia nas irrelevâncias do existir.
O mundo não parou.
Continuou a girar.
E num desses giros,
um lado sentiu dor, solidão.
Sentiu-se só por dentro e por fora.
A reviravolta.
E o mundo a girar...
O lado que estava agonizante,
aos poucos, começou a se levantar.
A ver um belo Sol voltar a brilhar.
Tomada de consciência.

Há tempos não acontecia.
E, agora, voltou a acontecer.
Houve o perdão.
Houve o amor.
Houve o filho pródigo de volta ao lar.
Houve a vitória plena da sabedoria.
Pai e Mãe e filhos se reencontram no achego,
no aconchego do colo de um Amor
que ultrapassa fronteiras
e nunca deixará de existir.

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2008
Código do texto: T1258754

LUZ

Bolas.
Flores.
Bolo.
Música.
Som.
Cores.
Mãe.
Pai.
Sonho. Ilusão.
Vovós.
Vovôs.
Mãezinha.
Mãezona.
Tias.
Tios.
Dinho.
Primos.
Amigos.
Todas as gerações.
Todos os encontros.
Todas as vidas
unidas numa só direção.
Direção a Deus.
Direção a mulher,
ao homem,
na sua procriação,
no nascimento
do seu rebento,
do seu fruto maduro,
de sua energia,
de sua perpetuação:
uma menina,
uma criança,
uma Luz que a todos irradia:
Sophia!

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2008
Código do texto: T1258667

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

TATUAGEM

Corte-me os pulsos.
Prenda-me o ar.
Mas,
deixe-me viver.
Viver o presente,
o passado,
o futuro,
a um só tempo,
para que não se esvaia.

Deixe-me livre
sem as correntes,
sem as amarras,
que eu fico preso,
como tatuagem,
ao teu corpo,
ao teu peito,
ao teu coração.


Publicado no Recanto das Letras em 01/10/2008
Código do texto: T1205550

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PRIMAVERA

Ao observar
o vento a balançar
os galhos da árvore
com folhas primaveris,
deparei-me com o Tempo:
pueril, implacável, amedrontador,
que a tudo modifica,
que a tudo transforma,
que a tudo esmaece,
que a tudo renova,
que a tudo refaz,
que a tudo renasce.

Tempo, Tempo:
meu templo
de adoração a Deus
e da Vida que brota
em cada instante,
do Nascente ao Poente,
do Ocidente ao Oriente.
Tempo dos Homens.
Tempo dos Céus.
Tempo dos Sonhos.
Tempo de Paz.


Publicado no Recanto das Letras em 24/09/2008
Código do texto: T1194886

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

PORTO DE PÉROLAS

Cena muda.
Gradativamente,
movimenta-se.
Pescadores atracam
a trazer raridades.
Raridades trazidas
do fundo do mar,
com a permissão dos Deuses
e de Iemanjá.
Raridades sublimes,
supremas,
delicadas.
Raridades preciosas:
gente, música,
sons, palavras...
Raridades reluzentes,
brilhantes.
Á procura de um porto:
um porto pra se achegar,
um porto de luz,
um Porto de Pérolas
à beira do mar...


Publicado no Recanto das Letras em 15/09/2008
Código do texto: T1178772

terça-feira, 9 de setembro de 2008

RESPOSTA

Minha resposta
virá com o vento
no redemoinho do tempo
na virada
da página da vida
que espreita minhas emoções.

Minha resposta
será simples,
pura
como água cristalina,
será de inspiração Divina,
soprará ao teu ouvido
como melodia de pássaro.
E tu a entenderás
como um afago,
um sorriso,
um carinho.
Mas,
ela é mais:
é um segredo,
é uma pérola,
é um achado.
Nosso.
Só nosso.
Que nem os homens.
que nem o tempo o desfaz.

Publicado no Recanto das Letras em 09/09/2008
Código do texto: T1168873

sábado, 6 de setembro de 2008

AMOR II

A dor,
ainda,
insiste,
persiste,
resiste,
faz o coração dilacerar.
É como comer
vidro moído,
as vísceras tem dificuldade de expurgá-lo.

A dor
do amor
é dor
insone,
insana.
Leva-te a mundos
sem experiência humana.
Leva-te às trevas.
Leva-te a vidas
desfeitas em pó.
Leva-te à Fênix
renascida das cinzas.
Leva-te a Deus.
À Vida.
À Loucura humana.

Publicado no Recanto das Letras em 06/09/2008
Código do texto: T1164239

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

NOVO RUMO

Pensamentos sazonais.
Sentimentos verticais.
Homem a debruçar
sob a luz do Luar.
Estrelas infindas a brilhar
na retina do seu olhar.
Nuvens esparsas.
Coração vadio
preso a um Passado
infinito, vulgar.
Homem a soluçar
debruçado a janela
do casarão milenar.
A soluçar por si,
pelos outros,
pelo passado,
pelo futuro,
que estão a vir,
a galope irão chegar,
desnortearão todos os rumos
para que novas trilhas
comecem a se traçar.

Publicado no Recanto das Letras em 05/09/2008
Código do texto: T1162621

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

VIVER

Viver.
Rebento maduro.
Nascer.
Brotar uma flor.
Eclodir o amor.
Numa profusãode sons,
de cores,
de seres,
de idéias,
de pensamentos.
Viver.
Rebento oportuno,
que espanta a tristeza,
que engana a dor.
Viver.
Morrer.
Renascer.
Ciclo divino,
como as estações do ano,
como a Esperança e o Amor.

Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2008
Código do texto: T1160065

terça-feira, 2 de setembro de 2008

AVE DE ARRIBAÇÃO

Estou a me esconder
como ave de arribação.
Toda vez que fico visível
migro para outras paragens.
Busco o inexplicável,
o obscuro,
o inefável.
Por isso,
estou à deriva.
Náufrago em águas profundas
a boiar sobre um estilete,
a procurar os mistérios da Terra,
a entender os mistérios do Mar.
Mistérios infindáveis
para uma ave como eu,
que não quer pouso certo,
prefere voar ao sabor do Ventos
ou prefere ouvir os sons dos Céus.

Publicado no Recanto das Letras em 02/09/2008
Código do texto: T1158390

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ILUSÃO

Ilusão foi não contar com o inesperado,
foi não vislumbrar o plausível
que dançava diante de meus olhos.

Ilusão foi não acreditar na intuição,
foi não enxergar com a razão
que as pupilas dilatavam com a luz.

Ilusão foi o não sofrimento,
foi dar-lhe crédito a todo momento
e pensar que nenhum estrago faria.
Ilusão foi iludir-me com estes anseios
foi sentir-me no calabouço da traição
e ver que para o seu desamor não tem perdão.
Publicado no Recanto das Letras em 01/09/2008
Código do texto: T1156148

domingo, 31 de agosto de 2008

SONHOS DO CORAÇÃO

Chuva fina.
Vento frio.
Flores a sorrir.
Nuvens a chorar.

Homem taciturno.
Cachorros em busca de um ninho.
Mulher a cantar modinhas muito antigas,
feitas de magia,
feitas de emoção,
feitas de lembranças,
lembranças de uma criança
que vivia a sorrir
numa casa cheia de histórias e sonhos.
Sonhos vivos, reais.

Sonhos imortais
que perduram,
que pulsam
e vivem enraizados
no mais oculto de um ser.
Sonhos e lembranças
que foram feitos
com todo amor
dentro do coração.

Publicado no Recanto das Letras em 31/08/2008
Código do texto: T1154572

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

VIAGEM NO TEMPO*

Toda vez que contigo converso,
volto o ponteiro do relógio para trás.
Até um tempo remoto
que de mim não se esvai.
Através de ti vejo a Infância,
e como ela era feliz em ti.
Muitas vezes eu não a entendia,
por não saber como vivê-la.
E, tu,a garota gorduchinha de cara amarrada,
sabia dela fazer uma companhia,
uma amiga, uma irmã.
Tu soubeste com ela brincar
e proveito tirar.
Ou melhor, tu a viveste intensamente,
sabiamente.
Curtiste cada gota de mel que te lambuzava.
Cada boneca a ti presenteada.
Cada colega que contigo brincava.
E eu não via como um sentimento deste
modificava as pessoas,
fazia delas algo de especial,
fazia delas algo importante e natural,
fazia delas uma criança
radiante e imortal.
* Poesia dedicada a Edilane Santos Amaral, minha irmã.
Publicado no Recanto das Letras em 29/08/2008
Código do texto: T1151682