sexta-feira, 23 de novembro de 2007

ANTES DE TUDO ACONTECER















Título: Recordações
http://geocities.yahoo.com.br/fdias03/recordacoes.htm

Ar
com cheiro
de recordação.
De quero mais
ou de não quero mais.
Música
a tocar bem distante.
Que me comove
ou não me comove.
Mas,
que me volta
ao antes,
ao antes
de tudo acontecer,
mudar,
de me levar
a conhecer
caminhos equivocados
ou não.
Tudo me retorna.
Ao antes,
do todo que acontece
entre eu e você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/11/2007
Código do texto: T748779

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

SEM MOTIVO














Título: Macro de um Lírio
http://www.flickr.com/photos/flaviocb/376979770/

Nativo
Nato
Inato
Assim és tu
Que plantaste
E não regaste
O de mais profundo
O de dentro
Só o machucaste.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2007
Código do texto: T747193

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DIA FELIZ




















Título: Sol
http://astrosurf.com/carreira/images/sol/2002

Dia de se levantar.
Dia de sorrir.
Dia de brincar.
De se enfeitar.
De dançar.
De se abraçar,
se beijar.
O nasceu radiante
pedindo aos seus súditos
ao menos
uma destas oferendas
para o seu altar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2007
Código do texto: T747196

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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

HORA MARCADA




















Título: Relógio
http://www.flickr.com/photos/12584880@N06/1307497935/

Hora marcada
pro princípio
meio
e fim da dor.
Dor que me consome.
Me desatina.
Abusa de mim.
Dor nas entranhas
como filho a nascer
num parto difícil.
Dor de dor.
Dor de corpo.
Dor de mim.
Dor de você.
Dor de amor.
Dor de te perder.
Dor de ter de me esquecer.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/11/2007

Código do texto: T745696

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NOITE DE CUVA




















Título: Chuva mesmo
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Noite fria.
Chuvosa.
Insone.
Fico a janela
a observar a chuva a cair.
A ouvir os barulhos
de uma noite de tempestade.
Os animais encolhidos
a procurar abrigos,
As corujas que sempre me vêem
estão escondidas a me bisbilhotar.
Não se atrevem a me olhar.
Só os cachorros ao longe
fazem parte desta noite.
Fecho a janela.
Deito ao som do barulho
da chuva no telhado.
Que de repente me faz dormir.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/11/2007
Código do texto: T745695

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

CONSCIÊNCIA NEGRA
















Título: Zumbi
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Sinhozinho
na Fazenda
ordena ao feitor:
nem que vosmicê
arranque o couro
dessa negrada,
tenho de embarcar
este café,
ao amanhecer.

Muitos desertaram
no caminho.
Não puderam
contar a história
dos oprimidos
daquele cafezal.

Outras vozes
não se calaram.
Se levantaram
a proclamar aos ventos
as atrocidades sofridas
pelo homem negro,
vindo da Mãe África.

Voz que não se calou.
Voz que não se cala.
Voz que não quer se calar.

Onde está o Sinhozinho?

Esta aí.
A pedir o seu voto,
em época de eleições.
Depois,
fica sentado,
ou a discutir irrelevâncias,
na Câmara,
no Senado,
no Palácio do Planalto
e a praticar o que chamam
de Democracia:
escravizar brancos, negros,
mulatos, indígenas...
com suas promessas não cumpridas,
suas dívidas não pagas,
com suas balas que nos matam
e proclamam de perdidas,
nos locais onde moramos,
na nossa casa,
onde vivem
os descendentes do passado,
tentando nos colocar no tronco,
nos açoitar.
Tentando nos ludibriar,
com estatísticas,
discursos,
com embromação.

Zumbi,
meu comandante,
meu guerreiro.
Volte
e leve todo o seu legado:
o povo brasileiro mazelado,
esculachado, deixado de lado
para Palmares.
Agora somos muitos.
Temos tecnologia.
Não deixaremos nenhum deles
próximo chegar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2007

Código do texto: T744427

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IMENSIDÃO AZUL
















Título: Pássaros ao contrário... migrando para
o Norte, para fugir do calor!!!
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Ao ver
o revoar
dos pássaros
sinto vontade de segui-los,
acompanhá-los.
Transmutar-me
e vivê-los
enfrentando os gozos
e as intempéries
dessa imensidão azul.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2007
Código do texto: T744425

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

NOITE CALMA















Título: Violência
http://gballone.sites.uol.com.br/temas/violen_inde.html

Noite calma,
serena,
com poucos barulhos
peculiares.
Olho pro relógio 19 horas.
Sinal da Escola.
Hora do Estudo.
Hora dos meninos
jogarem bola na Praça.
Hora das meninas
ficarem, namorarem, brincarem.
Ouve-se um estampido.
Mais um.
Outro.
Ouve-se o Silêncio
e agora a apreensão.
Um grito.
Um desespero.
Rebuliço na Praça.
Indignação.
Protesto.
Menino de 11 anos
morre com três tiros
na cabeça
disparados pela polícia.
Polícia???????

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 19/11/2007
Código do texto: T743023

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A MEIA LUZ















Título: Abajur
http://www.flickr.com/photos/aoshiz/162961010/

Noite a dentro
vou te vigiar.
Caminhar
sobre os teus passos
para as marcas deles apagar.
Quero-te incógnito.
Sem identidade.
Sem digitais.
Só assim,
te possuírei.
Às escuras.
Escondido.
Sem vigília.
Ao som de um bolero,
girando no toca-discos
Na penumbra da luz,
do abajur da paixão.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 19/11/2007

Código do texto: T743019

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domingo, 18 de novembro de 2007

REMÉDIO PRA SOLIDÃO














Título: Lover
http://meuanjobom.blogs.sapo.pt/

Sonos
Sonhos
Pesadelos
Que me povoam
Vivem em mim
Me angustiam
Me atordoam
Me deixam em convulsões.

Sonos
Sonhos
Pesadelos
Não mais me povoarão
Consegui remédio pra solidão
Vida a dois
Vida em mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2007
Código do texto: T742142

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QUERÊNCIA















Título: Pimenta na Janela
http://www.flickr.com/photos/thiagomartins/321546196/

Querência
de amor.
De beijos.
De suores.
De corpos ardentes,
calientes,
fumegantes,
em ponto de eclosão.

Querência
de desejos,
de apegos,
de amassos,
de corpos nus,
picantes,
flamejantes
de tesão.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2007

Código do texto: T742139

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sábado, 17 de novembro de 2007

TEMPO DE MORANGOS



















Título: Plantação de Morangos

http://www.flickr.com/photos/malrabaal/436763344/

Quero te encontrar
sob o alpendre
no meio
de um instante
que já vivemos antes.
Voltar o relógio,
enganar ao Deus Cronos
e ver se acertamos
os nossos ponteiros
que não estão
nos seus devidos lugares.

Enquanto isso
o sino da Igreja Matriz
tange o seu som
acordando os fiéis
para mais um ritual.
O ritual da fé.
O ritual da vida.

E, eu não posso esquecer.
É Tempo de Morangos.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2007

Código do texto: T740528

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PRIMEIRO ATO
















Título: Cortina
http://www.phoenixdreams.blogger.com.br/

Sou assim.
Não vou mudar.
Nem que para isso
tenha de te perder.
Me basto.
Sou auto-suficiente.
Não preciso de ninguém.
As minhas certezas
são as corretas.
As minhas falas,
quando ditas,
são eloqüentes,
vibrantes, eficazes.
Meus sentimentos,
mais tórridos.
Sou mais eu.
Arrogante. Mesquinho.
Louco. Perdido.
Só.
Cada vez mais só.
Estou a acabar só.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2007

Código do texto: T740527

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

PARQUE DOS PÁSSAROS















Título: Parque dos Pássaros - Foz do Iguaçu - Brasil
http://www.flickr.com/photos/metalog/41136678/

Caminho apressadamente pelo
Parque dos Pássaros,
aturdido.
Correndo por uma trilha
que dizem
me levar a um lugar qualquer.
Só a Vegetação Nativa
e os Pássaros
acompanham
meu desnorteio.
Como que por encanto
ou pelo desígnio
da Rosas dos Ventos,
todos os Pássaros
começam a me guiar
a um devido lugar.
Lá,
encontro tudo.
Eu,
os Pássaros,
uma Mata Densa
para me esconder,
me abrigar,
até o momento exato
em que a Natureza,
tornar-me-á um Sacerdote,
concebido,
consagrado por este Altar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2007

Código do texto: T739215

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BRISA















Título: Praia de Costazul - Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura
Brisa fresca
Sol ameno
Belo dia
Para mergulhar
No mar cristalino
No ar rarefeito
Nos braços seguros
De quem me enfeitiçar.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2007
Código do texto: T739213

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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

REENCONTRO















Título: Segura mãe! Essa é sua!
http://www.flickr.com/photos/gabriel_jabur/146252823/

Vento frio.
Forte.
Chuva contínua.
Hoje, me trouxeram
à memória
minhas mães.
A dos Ventos,
minha guardiã.
A Avó,
meu anjo de guarda.
A do Peito,
de quem tenho andado afastado,
isolado.
Não por querência.
Mas por imposição
das situações,
das calamidades
que desabaram
sob nossas cabeças
e nos afetaram.
Nos afastamos,
ficamos quietos,
cada um no seu canto.
Feridos. Magoados.
Creio, que agora,
estejamos a nos reencontrar,
a reassumir nossos papéis,
mesmo, que seja,
a contra gosto de poucos.
Uma coisa é irreversível:
o amor que existe em nós.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/11/2007

Código do texto: T737926

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ABANDONO













Título: Infinito
http://wam.flyer.it/

Pensamento foge
Vai para não sei onde
Talvez abandone meu corpo
E vague. Vague pelo infinito.
À procura do teu.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/11/2007

Código do texto: T737924

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ANJO SAFADO




















Título: Anjo
http://meuanjobom.blogs.sapo.pt/

Anjo Safado,
venhas pro meu leito,
brinques com os meus sonhos,
deixe-os todos desarrumados.
Mexas no meu corpo,
deixe-o arrepiado.
Contes-me segredos
para que não possa
a outros revelá-los.
Faças-me sentir leve,
sem contas a dever.
sem um nada a pagar,
sem um tanto a receber.
Anjo Safado,
fiques comigo
na minha casa,
na minha cama,
bagunçes os meus lençóis,
novos, de chita,
feitos pro teu corpo.
Venhas enrubescer a minha face
e me fazer feliz.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007
Código do texto: T736771

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TEMPO DE ESTIO











Título: Estiagem
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Tempo do pouco.
Tempo do nada.
Tempo do sofrimento, da dor.
Tempo do faltar
o de comer nas panelas
das casas modestas
abandonadas ao Deus dará,
pelos terreiros batidos
desse meu país.

Quando será que a mediocridade que nos assola desde 1500 mudará esta realidade??????

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007

Código do texto: T736772

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SODOMIA
















Título: Criança
http://rms.com.br/images?S=A

Nuvens.
Esparsas.
Carregadas.
Todas a rondarem
minha cabeça.
Pesadas. Densas.
Não se dissipam.
Não deixam o dia clarear.
Dia escuro.
Sombrio.
Como os que eu sentia
na minha Infância.
Ao ver o meu querer
sendo substituído
pelo meu não querer.
Não sendo respeitado.
Sendo maltratado.
Sodomizado.
E tinha de não falar.
O medo predominava.
Aterrorizava uma criança
que queria crescer como as outras.
Não pode.
Teve de viver na Esperança
de crescer
e de todos se vingar.
Todos que de uma forma
ou de outra
permitiram esse ultraje.

O crescimento custou,
demorou a chegar.
Quando chegou,
a minha criança morreu.

O tempo passou..
Décadas findaram.
As feridas continuam expostas.
As Vinganças,
o Tempo mesmo as realizou.
Só agora,
consigo fechar os olhos
e ficar algumas horas,
alguns dias,
sem pensar
nos Crimes que me cometeram.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007

Código do texto: T736767

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

NADA















Título: Céu
http://www.papel-de-parede.com/papel-de-parede/2806-ceu.html

Vento.
Ventania.
Tempo.
Temporal.
Eu e você.
Escapando de nossas vidas.
Passado.
Um a procura do outro,
buscando o improvável.
Não o impossível.
Tangível?
Eu e você
Pelas estradas,
trilhando um caminho.
Um caminho com ida.
Mão única.
Sem saída?
Eu e você.
Para trás,
não olharemos.
Ou nos transformaremos:
estátuas de sal.
Eu e você.
Andemos depressa.
O presente nos chama.
Para onde?
Para que lugar?
Por quê?
Eu e você.
Fujamos.
O futuro espera.
Nos espera.
Ali na frente.
Na curva de uma estrada.
Na curva de um rio.
Como uma serpente pronta para o bote.
Eu e você.
Perdidos.
No passado.
No presente.
No futuro.
No nunca.
Em busca do nada.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/10/2007

Código do texto: T681372

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DESVARIO















Título: Loucura loucura loucura
http://www.flickr.com/photos/foganhole/148260260/

Quem é você que tem o poder de me ferir?
Quem é você que gosta de me humilhar?
Que direito lhe dou para assim agir?
Não me pertence mais.
Não te pertenço mais.
Não a quero a me rodear.
A me usurpar:
os sentimentos,
o ninho,
a luz,
o sol,
a noite,
a escuridão.
Quero arrancá-la de dentro de mim.
Das minhas veias.
Do meu sangue.
Do meu peito.
Dos meus olhos.
Impossível?
Trocarei de nome.
Sangrarei meu peito.
Arrancarei meus olhos.
Tornar-me-ei invisível.
Inútil.
Você está arraigada no meu passado.
Nos meus sonhos de menino.
De adulto.
Nas minhas lutas.
Fracassos.
Conquistas.
Esperanças.
Sofrimentos.
Decepções.
Não tem jeito: sem solução.
Desvario esse meu:
conseguir esquecer você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007

Código do texto: T677315

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DIA BRANCO














Título: Solidão
http://www.flickr.com/photos/rfpaes/279823779/

Dia em que sumi.
Tranquei-me por dentro.
Hibernei.
Nem aqui estive.
Não os visitei.
Dia que fiquei fora.
Fora de mim.
Do meu controle.
Pensamentos esparsos.
Fuga espessa.
Ações: inércia.
Viajei pra longe,
tão longe do que se possa pensar.
Fui procurar-me no vago,
no vazio.
No distante.
Não me encontrei.
Voltei.
Ainda meio tonto.
Lúcido.
Quiçá, faltando pedaços.
Porém,
pronto para ficar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2007

Código do texto: T686701

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CRIME DELICADO




















Título: Beija-Flor
http://www.flickr.com/photos/79671868@N00/433439250/

Crime delicado.
Cometerei agora.
Homenagem,
meio capenga,
meio sem jeito,
à nossa união.
União estável, duradoura.
Anunciada pelos anjos do apocalipse
aos quatro ventos.
Fincada.
Fortaleza.
Carma.
Rompe laços.
Quebra barreiras.
Infringe Leis.
Queda homens: corações.
Leva susto: se espanta.
Suporta.
Agüenta.
É real.
Pesada.
Cansativa.
Feia.
Bonita.
Linda.
Leve.
Una.
Única.
Igual a todas,
sem tirar, nem pôr.
Fere como espada em riste:
ungüento.
Dói como a dor do parto que não deu luz:
união.
Corrói como o tempo:
sofrimento, ranhuras, perdão.
Vive.
Palpita.
Existe.
Apaixona.
Aprisiona.
Resiste.
Insiste.
Pura.
Invejável.
Firme.
Confiante.
Belamente encantadora.
Fruto maduro.
Proibido.
Nosso grande Amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/10/2007
Código do texto: T684610

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MÃO ÚNICA















Título: Mão Única
http://www.flickr.com/photos/innoart/4173536/

Não me amas
a minha maneira.
Nem eu a tua.
A tua é possessiva.
Doentia. Agressiva.
Me irrita. Me maltrata.
A minha é introspectiva.
Sagaz. Dissimulada.
Não te satisfaz. Maltrata.
Vivemos essa ambigüidade.
Dúbia. Imprecisa.
Equivocada.
Que precisa se ver. Apalpar.
Refletir. Reconsiderar.
Encontrar um destino.
Sem mão dupla.
De mão única.
Onde dois somam um.
Um só.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/10/2007

Código do texto: T689688

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QUERES SABER?









Título: Balança
http://www.conpet.gov.br/artigos/fotos_artigo

Queres saber
o que o fiel
da balança faz?
Nada.
Só fica em cima do muro
a observar
pra onde irá o vento pender.

Assim é o político brasileiro.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007

Código do texto: T735646

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PÔR-DO-SOL














Título: Pôr-do-Sol - Praia do Centro
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Cai o sol vermelho
Dentro da água do mar agitado
Todos aplaudem
Esse espetáculo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007

Código do texto: T735642

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SEREIA




















Título: Sereia
Belo dia.
Sol a pino.
Quente.
Escaldante.
Insinuante.
O Corpo Suado.
Belo.
Musculoso.
Sensual.
A areia
da praia
mais brilha.
A água do mar
mais se agita.
A lua
até dá uma espiadela.
As gaivotas
estão a planar
Nem vento há no ar.
Todos alertas.
Atentos.
O mundo conspira.
Ouve-se
um canto bem longe.
O Corpo Suado
mergulha
nas águas ariscas,
geladas do mar.
Nada.
Vai pra longe. Muito longe,
Como se algo estivessse a chamá-lo.
Desaparece. Some.
Não volta.
O sol cai.
Nenhum sinal.
O Corpo Suado
Belo.
Musculoso.
Sensual.
Fugiu com uma Sereia,
hipnotizado pelo seu canto
e foi pra águas profundas
se esconder lá.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007
Código do texto: T735647

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

AINDA EXISTE VIDA















Título: Meu Coração
http://www.flickr.com/photos/viveca/289449372/

Sabe o que nos une?
As desavenças.
As idiossincrasias.
O refinamento de vida adverso.
Se não fossem esses detalhes,
o que mais nos uniria?
Talvez, a vida,
os percalços,
os costumes,
os cheiros,
as árvores,
os cachorros,
o Amor,
maledicente,
malcriado,
machucado,
maltratado,
que não morre,
por mais que se tente matá-lo.
Ainda Vive, Pulsa, Respira.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007

Código do texto: T733708

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A DOIS















Pintura da foto do Morro Dois Irmãos
em Fernando de Noronha
Não és igual a mim
nem a ninguém.
És um ser
de outro planeta.
Com seus rancores,
seus humores.
Que reparte a vida comigo.
Tornando-a apenas suportável,
um pouco acima do intolerável.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007
Código do texto: T733704

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OLHOS NEGROS











Título: Os Negros de Jean Genet
Fotografia de Adenor Gondim _ Salvador 1996.jpg

http://apenasbahia.blogger.com.br/

Olhos Negros,
não me olhes
deste jeito assim.
Perto de ti,
fico trêmulo,
sem firmeza,
só de me fitares
com esse jeito moleque
de quem alguma coisa quer.
Olhos Negros
não ajas comigo assim.
Só me beijes.
Só me toques.
Só me ames
se quiseres comigo ficar,
compartilhar o ninho, o lar.
Fora isso, Olhos Negros:
Rua.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007

Código do texto: T733703

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

POSSO???




















Título: Interrogação
http://amordemulheres.zip.net/arch2005-05-15_2005-05-21.html

Vida simples
Vida dupla
Vida de um homem
A vender o corpo
Em busca do prazer de outros.
Será que eu também posso???

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2007

Código do texto: T729726

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O AMOR


















Título: Afrodite
http://www.vanessatuleski.com.br/mitologia/venjo.htm

Viver no amor
é tarefa para iniciados,
só ele nos põe
a provas constantes,
por ser irriquieto,
inquietante.

Arisco,
arriscado.
Só ele é capaz
de burlar as leis,
cometer desvarios,
assassinar aos incautos,
profanar aos Deuses,
induzir a pecados.

O Amor é belo
enquanto ideal,
imaginado.
Quando concreto,
é duro,
machuca,
é real.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2007

Código do texto: T729725

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

REVERSO














Título: Reverso
http://www.flickr.com/photos/crismartins/435510890/

Invento.
Pressinto.
Procuro.
Não encontro.
Reajo.
Revejo.
Não vejo.
Apenas o pulsar
a me palpitar.
Universo íntimo.
Que esmiúço.
Que prevejo.
Que não toco.
Que não possuo.
Existente,
em algum lugar.
Talvez em mim.
Quiçá em ti.
Mas,
certamente,
no inverso
do reverso
de um sentir
que em mim lateja.
De um sentir
que em mim persiste
a viver
e a te buscar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/10/2007

Código do texto: T675710

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ENCONTROS ETERNOS











Título: Eterno Abraço
http://www.graphbiz.com/sami/eterno_abraco.htm

Menino.
Menina.
Garoto.
Garota.
Brinquedos:
bolas, pipas,
bonecas, papos.
Encontros.
Desencontros.
Todos amados.
Encontros de amigos:
na infância,
na vida,
na maturidade.
Desencontros da vida:
cada um pr’um lado.
Encontros eternos.
Que nascem profundos.
Que marcam bem fundo.
Nunca esquecidos.
Sempre lembrados.
Relembrados.
Como sonhos.
Como ritos.
Como mitos.
Como heróis.
Como irmãos:
amigos de verdade.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2007

Código do texto: T673330

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AO PÉ DA LETRA













Título: Interrogação
http://www.expiate.blogger.com.br/2004_06_01_archive.html

Não quero mais te ver.
Não quero mais te sentir.
Não quero que me perturbes.
Não quero te amar.
Quero.
Outra vez.
Ver o dia clarear.
De você?
Quero distância.
Quilômetros e quilômetros.
Bem longínquo.
Para eu passar os dias a me banhar,
para o teu cheiro tirar.
Arrancar do meu corpo
que ainda te exala.
E anda bêbedo.
Pelas ruas.
Pelas esquinas.
Quero que nos meus sonhos: não existas.
Que dos meus pensamentos: eu te apague.
Quero livrar-me de ti.
Nem que seja a fórceps.
Não te quero mais em mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678990

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FUGA















Título: Triplo Ponto de Fuga
http://www.flickr.com/photos/kennojc/523833373/

Estou a me preparar
para a fuga.
Fugirei pra bem longe
para um lugar
onde não possa
ser avistado.
Lá,
no bem longe,
troco de nome,
mudo os cabelos,
me disfarço.

para não ser reconhecido
por alguém
que possa lhe dar informações
sobre mim.
Não quero que me encontre.
Não quero mais lhe ver.
De você,
só quero distância.
Uma distância
calculada ao cubo,
pela falta de amor
que senti
de você por mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728784

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HARMONIA




















Título: Harmonia
http://www.hellados.ru/gallery/pic

Sobreviver
As agruras
Do amor
É tarefa árdua
Difícil
Tem de se estar
Em total harmonia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728787

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

NO SÓTÃO















Título: Sótão
http://vivesonhos.blogspot.com/2005/08/reencontros.html


Tempestade.
Ventania.
Ouço barulhos
no sótão.
Um andar?
Um caminhar?
Atônito fico.
Escondo-me
detrás das grossas cortinas.
Tudo em silêncio.
Somente o barulho
do vento e da chuva.
Começo a me tranqüilizar.
Novos barulhos.
Mais fortes.
Janelas a baterem.
A luz se apaga.
Trêmulo.
Tomo coragem.
Acendo uma vela,
após várias tentativas.
Vacilante.
Indeciso.
Subo a escada
que me levará ao incógnito,
pé ante pé,
deslizando sobre as tábuas corridas.
Abro a porta,
bem devagar,
sem ruídos a fazer.
Espanto-me!!!
Encontro
os meus Fantasmas
a fazerem um tudo
com meus pensamentos,
com meus sentimentos,
jogando-os todos pro alto,
pra quando caírem,
caírem de pernas pro ar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726857

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CINZAS




















Título: La Mascara del Galeón
http://www.flickr.com/photos/22088708@N00/192758784/


Rasgaste minha fantasia.
Me deixaste exposto.
Com o corpo
e o rosto
à mostra.
Não refletiste.
Me magoaste,
de mim zombaste.

Hoje,
com outra fantasia a usar
que não irás rasgar.
Não a conheces,
nem a conhecerás.
Só eu passarei por ti
e te reconhecerei
e lembrarei
que tu fizeste
parte de um Carnaval
que para mim
transformaste
em Cinzas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726853

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

CONFISSÃO















Título: Confissão
http://www.flickr.com/photos/ccasado/47872559/

Confesso:
estou cansado,
exausto.
A vida
já me pesa o corpo.
Me sinto modificado,
adulterado.
A cópia
que reluz
à minha frente,
embaçada,
sem viço,
parece não ser a minha.
Será a de outra pessoa?
O invólucro
se transformou.
Transformaram.
Me vejo,
outro.
Em tudo.
No andar,
no caminhar,
no pensar,
no dizer,
no amar.
Não dá.
Respeito.
As marcas que o tempo me deu.
São sinais de que vivi.
Vivo.
Reverencio o tempo.
Sinto a vida.
Pulse a vida.
Pulse.
Pulse.
Pulse tanto.
Pulse para não me pesar.
Para a pena continuar a caminhar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/10/2007

Código do texto: T682027

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PALAVRAS AO VENTO














Título: Vento
http://www.flickr.com/photos/momentodecisivo/53789769/

Noite.
Lua.
Claro.
Luz.
Sol.
Dia.
Azul.
Verde.
Mel.
Castanho.
Preto.
Olhos
Branco.
Negro.
Todas as cores.
Natureza.
Mar.
Pássaros.
Gaivotas.
Mais pássaros.
Peixes.
Muitos peixes.
Barcos.
Muitos barcos.
À praia ancorando.
Curiosos.
Mulheres.
Crianças.
Festa..
Muita festa.
Redes.
Redes cheias.
Homens.
Homens felizes.
Pescadores.
Talhados pela sereia do mar:
Iemanjá.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678459

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CALMARIA














Título: Píer da Praia do Centro, ao entardecer

Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Agora.
Calmaria.
Redemoinhos de ventos.
Turbilhões de pensamentos.
Tempestades. Trovões.
Passaram.
Todos a salvo?
Alguns.
Sentimentos, contatos.
Importantes?
Quiçá.
A balança não pesou.
Agora.
Torpor.
Leveza?
O corpo adormecido nu.
A alma desnuda.
Os olhos vagos.
À procura.
De quê?
O olhar,
o pensar,
no intangível.
Na busca de um porto.
Porto seguro.
Pra naufragar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2007

Código do texto: T688257

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AMIGO














Título: Flores Amarelas
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Uno.
Bilateral.
Transforma-se
em “mils”.
Para entender-me melhor.
Escutar-me melhor.
Irmão.
Pai.
Mãe.
Só você a realizar esta tarefa.
Dedicado.
Delicado.
Não mais ousado.
Sutil.
Cheio de mesuras no falar.
Cheio de mesuras no dizer.
Guia.
Farol.
Guru.
Tudo isso.
E, muito,
muito mais.
Amigo.


* Dedicado Eduardo Moura

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/10/2007
Código do texto: T682799

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ETERNO OLHAR




















Título: Mãe

http://www.flickr.com/photos/lairilai/154086664/

Olhos de água.
Olhos de chuva.
Olhos de mel.
Olhos de mar.
Verdes.
Lindos,
como ondas a marulhar,
como os raios,
no céu,
a cintilar.
Como as matas,
nos campos,
após as chuvas,
em busca
do esverdear.
Olhos meus.
Que me embalaram,
que me amamentaram,
me acalentaram,
me ensinaram,
me moldaram,
me tornaram o que sou.
Olhos que me olham:
com amor,
respeito,
dedicação.
Olhos infinitos:
nunca se perderão.
Continuarão dentro de mim.
Do meu sangue.
Do meu eu.
Do meu coração.
Eterno amar.
Terno olhar.
Verdes olhos:
musa,
mãe.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671801

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RECADO














Título: Recado
Não possuo nervos de aço.
Muito menos sangue de barata.
Sinto.
Sofro.
Me descabelo. Me esculacho.
Me desmancho.
Desmonto.

Não dou o braço a torcer.

Não meças força comigo.
Nada tens a ganhar.
Não sou a Traição.
Tu. Só tu.
Estás colocando tudo a perder.

Santo, não sou.
Não quero.
Incomoda.
Quero pecar.
Me molestar. Me entregar.
Me ferir. Te ferir.
Andar por lugares escuros.
Por becos escusos.
Beber da bebida dos Loucos.
Beber da bebida dos Bêbedos.
Me embriagar.
Andar na corda bamba.
Tropeçar.
Cair.
Levantar.
Sublimar.

Porém ,
uma certeza eu tenho:
não te quero mais.
A apertar o meu peito.
A sangrar o meu coração.
A matar o meu desejo.
A violar a minha “despudoração”.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2007
Código do texto: T699213

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IANSÃ




















Título: Iansã
http://agora.ya.com/umbanda21

Venta.
Venta muito.
Venta forte.
Minha Rainha
está a reinar.
E eu,
seu fiel súdito
estou atarefado
a observar,
a olhar,
a admirar,
a sentir sua força
a percorrer
outros reinos,
que ficam paralisados.
Estagnados.
Em estado
de contemplação,
com o anúncio do seu passar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007
Código do texto: T725335

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DESENCANTO















Título: Tristeza

http://igorfrota.blogspirit.com/

Sai na tua busca,
ao teu encontro.
Percorri estradas.
Caminhos.
Andei por vielas.
Ruelas.
Escorreguei nos guetos.
Não te encontrei.
Encontrei teu hálito,
teu cheiro
a perfumarem
todos os cantos,
todas as gentes,
numa mistura
com suor e sexo.
Desencantei-me.
Fugi.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007

Código do texto: T725324

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

LINHA TÊNUE




















Título: Trapezista
Tempo.
Abafado.
Sem chuva.
Sem vento.

Eu.
Sem prumo.
Sem rumo.
Agoniado.
Após cruzar
a linha tênue
entre o agora
e o que se tentou
deixar para trás,
não se conseguiu,
fcou,
continua no hoje,
no agora,
no sempre.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007
Código do texto: T724530

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MEDUSA















Título: Medusa
http://desktopreflections.com/previews/medusa.html

Olhos. Olhos. Olhos.

Olhos vivos.
Olhos abertos.
Obscenos.
Devassadores.
Olhos observadores.
Olhos disléxicos.
Todos
a te olharem.
A te observarem.
A te encurralarem.
A buscarem
o teu olhar.
Tentando nele
se fixarem.
Para te paralisarem.
Transformarem-te numa Estátua.
Que não sofre.
Não se dói.
Não sente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007

Código do texto: T724527

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