quarta-feira, 14 de novembro de 2007

TEMPO DE ESTIO











Título: Estiagem
http://www.insidenet.com.br/administracao/imagens

Tempo do pouco.
Tempo do nada.
Tempo do sofrimento, da dor.
Tempo do faltar
o de comer nas panelas
das casas modestas
abandonadas ao Deus dará,
pelos terreiros batidos
desse meu país.

Quando será que a mediocridade que nos assola desde 1500 mudará esta realidade??????

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007

Código do texto: T736772

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SODOMIA
















Título: Criança
http://rms.com.br/images?S=A

Nuvens.
Esparsas.
Carregadas.
Todas a rondarem
minha cabeça.
Pesadas. Densas.
Não se dissipam.
Não deixam o dia clarear.
Dia escuro.
Sombrio.
Como os que eu sentia
na minha Infância.
Ao ver o meu querer
sendo substituído
pelo meu não querer.
Não sendo respeitado.
Sendo maltratado.
Sodomizado.
E tinha de não falar.
O medo predominava.
Aterrorizava uma criança
que queria crescer como as outras.
Não pode.
Teve de viver na Esperança
de crescer
e de todos se vingar.
Todos que de uma forma
ou de outra
permitiram esse ultraje.

O crescimento custou,
demorou a chegar.
Quando chegou,
a minha criança morreu.

O tempo passou..
Décadas findaram.
As feridas continuam expostas.
As Vinganças,
o Tempo mesmo as realizou.
Só agora,
consigo fechar os olhos
e ficar algumas horas,
alguns dias,
sem pensar
nos Crimes que me cometeram.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007

Código do texto: T736767

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

NADA















Título: Céu
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Vento.
Ventania.
Tempo.
Temporal.
Eu e você.
Escapando de nossas vidas.
Passado.
Um a procura do outro,
buscando o improvável.
Não o impossível.
Tangível?
Eu e você
Pelas estradas,
trilhando um caminho.
Um caminho com ida.
Mão única.
Sem saída?
Eu e você.
Para trás,
não olharemos.
Ou nos transformaremos:
estátuas de sal.
Eu e você.
Andemos depressa.
O presente nos chama.
Para onde?
Para que lugar?
Por quê?
Eu e você.
Fujamos.
O futuro espera.
Nos espera.
Ali na frente.
Na curva de uma estrada.
Na curva de um rio.
Como uma serpente pronta para o bote.
Eu e você.
Perdidos.
No passado.
No presente.
No futuro.
No nunca.
Em busca do nada.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/10/2007

Código do texto: T681372

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DESVARIO















Título: Loucura loucura loucura
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Quem é você que tem o poder de me ferir?
Quem é você que gosta de me humilhar?
Que direito lhe dou para assim agir?
Não me pertence mais.
Não te pertenço mais.
Não a quero a me rodear.
A me usurpar:
os sentimentos,
o ninho,
a luz,
o sol,
a noite,
a escuridão.
Quero arrancá-la de dentro de mim.
Das minhas veias.
Do meu sangue.
Do meu peito.
Dos meus olhos.
Impossível?
Trocarei de nome.
Sangrarei meu peito.
Arrancarei meus olhos.
Tornar-me-ei invisível.
Inútil.
Você está arraigada no meu passado.
Nos meus sonhos de menino.
De adulto.
Nas minhas lutas.
Fracassos.
Conquistas.
Esperanças.
Sofrimentos.
Decepções.
Não tem jeito: sem solução.
Desvario esse meu:
conseguir esquecer você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007

Código do texto: T677315

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DIA BRANCO














Título: Solidão
http://www.flickr.com/photos/rfpaes/279823779/

Dia em que sumi.
Tranquei-me por dentro.
Hibernei.
Nem aqui estive.
Não os visitei.
Dia que fiquei fora.
Fora de mim.
Do meu controle.
Pensamentos esparsos.
Fuga espessa.
Ações: inércia.
Viajei pra longe,
tão longe do que se possa pensar.
Fui procurar-me no vago,
no vazio.
No distante.
Não me encontrei.
Voltei.
Ainda meio tonto.
Lúcido.
Quiçá, faltando pedaços.
Porém,
pronto para ficar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2007

Código do texto: T686701

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CRIME DELICADO




















Título: Beija-Flor
http://www.flickr.com/photos/79671868@N00/433439250/

Crime delicado.
Cometerei agora.
Homenagem,
meio capenga,
meio sem jeito,
à nossa união.
União estável, duradoura.
Anunciada pelos anjos do apocalipse
aos quatro ventos.
Fincada.
Fortaleza.
Carma.
Rompe laços.
Quebra barreiras.
Infringe Leis.
Queda homens: corações.
Leva susto: se espanta.
Suporta.
Agüenta.
É real.
Pesada.
Cansativa.
Feia.
Bonita.
Linda.
Leve.
Una.
Única.
Igual a todas,
sem tirar, nem pôr.
Fere como espada em riste:
ungüento.
Dói como a dor do parto que não deu luz:
união.
Corrói como o tempo:
sofrimento, ranhuras, perdão.
Vive.
Palpita.
Existe.
Apaixona.
Aprisiona.
Resiste.
Insiste.
Pura.
Invejável.
Firme.
Confiante.
Belamente encantadora.
Fruto maduro.
Proibido.
Nosso grande Amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/10/2007
Código do texto: T684610

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MÃO ÚNICA















Título: Mão Única
http://www.flickr.com/photos/innoart/4173536/

Não me amas
a minha maneira.
Nem eu a tua.
A tua é possessiva.
Doentia. Agressiva.
Me irrita. Me maltrata.
A minha é introspectiva.
Sagaz. Dissimulada.
Não te satisfaz. Maltrata.
Vivemos essa ambigüidade.
Dúbia. Imprecisa.
Equivocada.
Que precisa se ver. Apalpar.
Refletir. Reconsiderar.
Encontrar um destino.
Sem mão dupla.
De mão única.
Onde dois somam um.
Um só.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/10/2007

Código do texto: T689688

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QUERES SABER?









Título: Balança
http://www.conpet.gov.br/artigos/fotos_artigo

Queres saber
o que o fiel
da balança faz?
Nada.
Só fica em cima do muro
a observar
pra onde irá o vento pender.

Assim é o político brasileiro.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007

Código do texto: T735646

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PÔR-DO-SOL














Título: Pôr-do-Sol - Praia do Centro
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Cai o sol vermelho
Dentro da água do mar agitado
Todos aplaudem
Esse espetáculo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007

Código do texto: T735642

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SEREIA




















Título: Sereia
Belo dia.
Sol a pino.
Quente.
Escaldante.
Insinuante.
O Corpo Suado.
Belo.
Musculoso.
Sensual.
A areia
da praia
mais brilha.
A água do mar
mais se agita.
A lua
até dá uma espiadela.
As gaivotas
estão a planar
Nem vento há no ar.
Todos alertas.
Atentos.
O mundo conspira.
Ouve-se
um canto bem longe.
O Corpo Suado
mergulha
nas águas ariscas,
geladas do mar.
Nada.
Vai pra longe. Muito longe,
Como se algo estivessse a chamá-lo.
Desaparece. Some.
Não volta.
O sol cai.
Nenhum sinal.
O Corpo Suado
Belo.
Musculoso.
Sensual.
Fugiu com uma Sereia,
hipnotizado pelo seu canto
e foi pra águas profundas
se esconder lá.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2007
Código do texto: T735647

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

AINDA EXISTE VIDA















Título: Meu Coração
http://www.flickr.com/photos/viveca/289449372/

Sabe o que nos une?
As desavenças.
As idiossincrasias.
O refinamento de vida adverso.
Se não fossem esses detalhes,
o que mais nos uniria?
Talvez, a vida,
os percalços,
os costumes,
os cheiros,
as árvores,
os cachorros,
o Amor,
maledicente,
malcriado,
machucado,
maltratado,
que não morre,
por mais que se tente matá-lo.
Ainda Vive, Pulsa, Respira.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007

Código do texto: T733708

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A DOIS















Pintura da foto do Morro Dois Irmãos
em Fernando de Noronha
Não és igual a mim
nem a ninguém.
És um ser
de outro planeta.
Com seus rancores,
seus humores.
Que reparte a vida comigo.
Tornando-a apenas suportável,
um pouco acima do intolerável.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007
Código do texto: T733704

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OLHOS NEGROS











Título: Os Negros de Jean Genet
Fotografia de Adenor Gondim _ Salvador 1996.jpg

http://apenasbahia.blogger.com.br/

Olhos Negros,
não me olhes
deste jeito assim.
Perto de ti,
fico trêmulo,
sem firmeza,
só de me fitares
com esse jeito moleque
de quem alguma coisa quer.
Olhos Negros
não ajas comigo assim.
Só me beijes.
Só me toques.
Só me ames
se quiseres comigo ficar,
compartilhar o ninho, o lar.
Fora isso, Olhos Negros:
Rua.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2007

Código do texto: T733703

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

POSSO???




















Título: Interrogação
http://amordemulheres.zip.net/arch2005-05-15_2005-05-21.html

Vida simples
Vida dupla
Vida de um homem
A vender o corpo
Em busca do prazer de outros.
Será que eu também posso???

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2007

Código do texto: T729726

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O AMOR


















Título: Afrodite
http://www.vanessatuleski.com.br/mitologia/venjo.htm

Viver no amor
é tarefa para iniciados,
só ele nos põe
a provas constantes,
por ser irriquieto,
inquietante.

Arisco,
arriscado.
Só ele é capaz
de burlar as leis,
cometer desvarios,
assassinar aos incautos,
profanar aos Deuses,
induzir a pecados.

O Amor é belo
enquanto ideal,
imaginado.
Quando concreto,
é duro,
machuca,
é real.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2007

Código do texto: T729725

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

REVERSO














Título: Reverso
http://www.flickr.com/photos/crismartins/435510890/

Invento.
Pressinto.
Procuro.
Não encontro.
Reajo.
Revejo.
Não vejo.
Apenas o pulsar
a me palpitar.
Universo íntimo.
Que esmiúço.
Que prevejo.
Que não toco.
Que não possuo.
Existente,
em algum lugar.
Talvez em mim.
Quiçá em ti.
Mas,
certamente,
no inverso
do reverso
de um sentir
que em mim lateja.
De um sentir
que em mim persiste
a viver
e a te buscar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/10/2007

Código do texto: T675710

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ENCONTROS ETERNOS











Título: Eterno Abraço
http://www.graphbiz.com/sami/eterno_abraco.htm

Menino.
Menina.
Garoto.
Garota.
Brinquedos:
bolas, pipas,
bonecas, papos.
Encontros.
Desencontros.
Todos amados.
Encontros de amigos:
na infância,
na vida,
na maturidade.
Desencontros da vida:
cada um pr’um lado.
Encontros eternos.
Que nascem profundos.
Que marcam bem fundo.
Nunca esquecidos.
Sempre lembrados.
Relembrados.
Como sonhos.
Como ritos.
Como mitos.
Como heróis.
Como irmãos:
amigos de verdade.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2007

Código do texto: T673330

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AO PÉ DA LETRA













Título: Interrogação
http://www.expiate.blogger.com.br/2004_06_01_archive.html

Não quero mais te ver.
Não quero mais te sentir.
Não quero que me perturbes.
Não quero te amar.
Quero.
Outra vez.
Ver o dia clarear.
De você?
Quero distância.
Quilômetros e quilômetros.
Bem longínquo.
Para eu passar os dias a me banhar,
para o teu cheiro tirar.
Arrancar do meu corpo
que ainda te exala.
E anda bêbedo.
Pelas ruas.
Pelas esquinas.
Quero que nos meus sonhos: não existas.
Que dos meus pensamentos: eu te apague.
Quero livrar-me de ti.
Nem que seja a fórceps.
Não te quero mais em mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678990

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FUGA















Título: Triplo Ponto de Fuga
http://www.flickr.com/photos/kennojc/523833373/

Estou a me preparar
para a fuga.
Fugirei pra bem longe
para um lugar
onde não possa
ser avistado.
Lá,
no bem longe,
troco de nome,
mudo os cabelos,
me disfarço.

para não ser reconhecido
por alguém
que possa lhe dar informações
sobre mim.
Não quero que me encontre.
Não quero mais lhe ver.
De você,
só quero distância.
Uma distância
calculada ao cubo,
pela falta de amor
que senti
de você por mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728784

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HARMONIA




















Título: Harmonia
http://www.hellados.ru/gallery/pic

Sobreviver
As agruras
Do amor
É tarefa árdua
Difícil
Tem de se estar
Em total harmonia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728787

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

NO SÓTÃO















Título: Sótão
http://vivesonhos.blogspot.com/2005/08/reencontros.html


Tempestade.
Ventania.
Ouço barulhos
no sótão.
Um andar?
Um caminhar?
Atônito fico.
Escondo-me
detrás das grossas cortinas.
Tudo em silêncio.
Somente o barulho
do vento e da chuva.
Começo a me tranqüilizar.
Novos barulhos.
Mais fortes.
Janelas a baterem.
A luz se apaga.
Trêmulo.
Tomo coragem.
Acendo uma vela,
após várias tentativas.
Vacilante.
Indeciso.
Subo a escada
que me levará ao incógnito,
pé ante pé,
deslizando sobre as tábuas corridas.
Abro a porta,
bem devagar,
sem ruídos a fazer.
Espanto-me!!!
Encontro
os meus Fantasmas
a fazerem um tudo
com meus pensamentos,
com meus sentimentos,
jogando-os todos pro alto,
pra quando caírem,
caírem de pernas pro ar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726857

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CINZAS




















Título: La Mascara del Galeón
http://www.flickr.com/photos/22088708@N00/192758784/


Rasgaste minha fantasia.
Me deixaste exposto.
Com o corpo
e o rosto
à mostra.
Não refletiste.
Me magoaste,
de mim zombaste.

Hoje,
com outra fantasia a usar
que não irás rasgar.
Não a conheces,
nem a conhecerás.
Só eu passarei por ti
e te reconhecerei
e lembrarei
que tu fizeste
parte de um Carnaval
que para mim
transformaste
em Cinzas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726853

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

CONFISSÃO















Título: Confissão
http://www.flickr.com/photos/ccasado/47872559/

Confesso:
estou cansado,
exausto.
A vida
já me pesa o corpo.
Me sinto modificado,
adulterado.
A cópia
que reluz
à minha frente,
embaçada,
sem viço,
parece não ser a minha.
Será a de outra pessoa?
O invólucro
se transformou.
Transformaram.
Me vejo,
outro.
Em tudo.
No andar,
no caminhar,
no pensar,
no dizer,
no amar.
Não dá.
Respeito.
As marcas que o tempo me deu.
São sinais de que vivi.
Vivo.
Reverencio o tempo.
Sinto a vida.
Pulse a vida.
Pulse.
Pulse.
Pulse tanto.
Pulse para não me pesar.
Para a pena continuar a caminhar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/10/2007

Código do texto: T682027

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PALAVRAS AO VENTO














Título: Vento
http://www.flickr.com/photos/momentodecisivo/53789769/

Noite.
Lua.
Claro.
Luz.
Sol.
Dia.
Azul.
Verde.
Mel.
Castanho.
Preto.
Olhos
Branco.
Negro.
Todas as cores.
Natureza.
Mar.
Pássaros.
Gaivotas.
Mais pássaros.
Peixes.
Muitos peixes.
Barcos.
Muitos barcos.
À praia ancorando.
Curiosos.
Mulheres.
Crianças.
Festa..
Muita festa.
Redes.
Redes cheias.
Homens.
Homens felizes.
Pescadores.
Talhados pela sereia do mar:
Iemanjá.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678459

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CALMARIA














Título: Píer da Praia do Centro, ao entardecer

Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Agora.
Calmaria.
Redemoinhos de ventos.
Turbilhões de pensamentos.
Tempestades. Trovões.
Passaram.
Todos a salvo?
Alguns.
Sentimentos, contatos.
Importantes?
Quiçá.
A balança não pesou.
Agora.
Torpor.
Leveza?
O corpo adormecido nu.
A alma desnuda.
Os olhos vagos.
À procura.
De quê?
O olhar,
o pensar,
no intangível.
Na busca de um porto.
Porto seguro.
Pra naufragar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2007

Código do texto: T688257

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AMIGO














Título: Flores Amarelas
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Uno.
Bilateral.
Transforma-se
em “mils”.
Para entender-me melhor.
Escutar-me melhor.
Irmão.
Pai.
Mãe.
Só você a realizar esta tarefa.
Dedicado.
Delicado.
Não mais ousado.
Sutil.
Cheio de mesuras no falar.
Cheio de mesuras no dizer.
Guia.
Farol.
Guru.
Tudo isso.
E, muito,
muito mais.
Amigo.


* Dedicado Eduardo Moura

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/10/2007
Código do texto: T682799

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ETERNO OLHAR




















Título: Mãe

http://www.flickr.com/photos/lairilai/154086664/

Olhos de água.
Olhos de chuva.
Olhos de mel.
Olhos de mar.
Verdes.
Lindos,
como ondas a marulhar,
como os raios,
no céu,
a cintilar.
Como as matas,
nos campos,
após as chuvas,
em busca
do esverdear.
Olhos meus.
Que me embalaram,
que me amamentaram,
me acalentaram,
me ensinaram,
me moldaram,
me tornaram o que sou.
Olhos que me olham:
com amor,
respeito,
dedicação.
Olhos infinitos:
nunca se perderão.
Continuarão dentro de mim.
Do meu sangue.
Do meu eu.
Do meu coração.
Eterno amar.
Terno olhar.
Verdes olhos:
musa,
mãe.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671801

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RECADO














Título: Recado
Não possuo nervos de aço.
Muito menos sangue de barata.
Sinto.
Sofro.
Me descabelo. Me esculacho.
Me desmancho.
Desmonto.

Não dou o braço a torcer.

Não meças força comigo.
Nada tens a ganhar.
Não sou a Traição.
Tu. Só tu.
Estás colocando tudo a perder.

Santo, não sou.
Não quero.
Incomoda.
Quero pecar.
Me molestar. Me entregar.
Me ferir. Te ferir.
Andar por lugares escuros.
Por becos escusos.
Beber da bebida dos Loucos.
Beber da bebida dos Bêbedos.
Me embriagar.
Andar na corda bamba.
Tropeçar.
Cair.
Levantar.
Sublimar.

Porém ,
uma certeza eu tenho:
não te quero mais.
A apertar o meu peito.
A sangrar o meu coração.
A matar o meu desejo.
A violar a minha “despudoração”.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2007
Código do texto: T699213

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IANSÃ




















Título: Iansã
http://agora.ya.com/umbanda21

Venta.
Venta muito.
Venta forte.
Minha Rainha
está a reinar.
E eu,
seu fiel súdito
estou atarefado
a observar,
a olhar,
a admirar,
a sentir sua força
a percorrer
outros reinos,
que ficam paralisados.
Estagnados.
Em estado
de contemplação,
com o anúncio do seu passar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007
Código do texto: T725335

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DESENCANTO















Título: Tristeza

http://igorfrota.blogspirit.com/

Sai na tua busca,
ao teu encontro.
Percorri estradas.
Caminhos.
Andei por vielas.
Ruelas.
Escorreguei nos guetos.
Não te encontrei.
Encontrei teu hálito,
teu cheiro
a perfumarem
todos os cantos,
todas as gentes,
numa mistura
com suor e sexo.
Desencantei-me.
Fugi.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007

Código do texto: T725324

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

LINHA TÊNUE




















Título: Trapezista
Tempo.
Abafado.
Sem chuva.
Sem vento.

Eu.
Sem prumo.
Sem rumo.
Agoniado.
Após cruzar
a linha tênue
entre o agora
e o que se tentou
deixar para trás,
não se conseguiu,
fcou,
continua no hoje,
no agora,
no sempre.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007
Código do texto: T724530

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MEDUSA















Título: Medusa
http://desktopreflections.com/previews/medusa.html

Olhos. Olhos. Olhos.

Olhos vivos.
Olhos abertos.
Obscenos.
Devassadores.
Olhos observadores.
Olhos disléxicos.
Todos
a te olharem.
A te observarem.
A te encurralarem.
A buscarem
o teu olhar.
Tentando nele
se fixarem.
Para te paralisarem.
Transformarem-te numa Estátua.
Que não sofre.
Não se dói.
Não sente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007

Código do texto: T724527

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domingo, 4 de novembro de 2007

TUDO




















Título: Coração na praia
http://bloguiando.blogs.sapo.pt/

Nada a dizer.
Nada a declarar.
Tudo a sentir.
Tudo a rebuliçar.
Revolver
por dentro.
Querendo sair.
Querendo romper
e fazer brotar
o mais forte sentimento:
o de Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722837

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FANTASMAS














Título: Fantasma

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Fantasmas
vieram me visitar.
Todos.
Vieram me povoar.
Sonos.
Sonhos.
Pensamentos.
Todos se aportaram
para me atormentar.
Fantasmas
que julgava mortos.
No passado.
No futuro.
No presente.
Aqui estão
a me assombrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722834

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sábado, 3 de novembro de 2007

FLORES



Título: Quaresma
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Flores mil.
Verdes.
Azuis.
Vermelhas.
Brancas.
Amarelas.
Cor de anil.
Flores vivas.
Cheias de vida.
Repletas de cheiros.
Venham embelezar Afrodite
com uma grinalda,
tecida pelos beija-flores,
com hera e tons variados.
Multicores.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007
Código do texto: T721600

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ENTARDECER



Titulo: Pôr-do-Sol

Praia do Centro - Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Antônio de Moura

Sinto o entardecer
cair lentamente
diante dos meus olhos.
Mágico. Surpreendente.
Um espetáculo.
De Deuses.
De Orixás.
Reverenciado
por uma platéia
comovida.
Entardecer
que acontece todos os dias.
Mas,
o de hoje,
não é igual,
é singular.
É meu.
É nosso.
Se diferencia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007

Código do texto: T721601

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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SIMPLES














Fotografia: Simples

http://www.flickr.com/photos/giselle/1138831649/


Puro.
Como o olho d’água a terra perfurar.
Como os pássaros ao vento se deixarem levar.
Como o encontro do mar com o rio num contínuo acasalar.
Como a mãe em seus braços a embalar..
Árvores.
Céus.
Sol.
Chuva.
Correria.
Trem.
Praça.
Brinquedo.
Febre.
Criança.
Vó.
Se foi.
Puro.
Puro.
Simples assim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007

Código do texto: T677006

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LÁGRIMAS




















Título: Pietá
Autor: Michelangelo

http://www.samford.edu/~tsmcginn/bp/Christ_art.html


Gota.
Gotícula.
De suor.
De chuva.
De sangue.

Gota
derramada dos olhos
de um menino
ao perder-se
para o Mundo
pelas mãos de uma vida a margem.

Gotas
gotículas
de sangue
derramadas
pelos olhos e pelo coração
de uma mulher.

Uma desesperada Mãe
inconsolada.

Lágrimas. Lágrimas.
Puras. Cristalinas.

Lágrimas. Lágrimas.
De indignação. De dor.
De perda. De pavor.
De amor.

Lágrimas. Lágrimas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720133

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INCONSTÂNCIA




















Obra: Inconstância
Autor: Goitto di Bondone

http://www.artehistoria.com/genios/cuadros/15317.htm


A tua instabilidade
me corrói
expõe minhas vísceras
me faz hibernar
colocar num buraco a cabeça
como um avestruz
para me esconder
não te ver
não te encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720132

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

VENTO













Título: Ventania

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/ambientehome.htm


Voar. Voar.

Voe vento
Voe devagar
Sopre no meu rosto
Faça-me um carinho
Chegue mais perto
Bem de mansinho
Sussure ao meu ouvido
Devagarzinho
Baixinho
Em silêncio
Em segredo
Em segredo só nosso
Diga-me quando
O meu Cheiro
O meu Dengo voltará.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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PRISÃO















Fotografia: Prisão de Goiás Velho


Pensamentos.
Insones.
Despertos.
Amordaçados.
Não conseguem
sair daqui de dentro.
Aprisionados.
Você os encurralou.
Jogou-os do 10º andar.
Agora,
quer que eu os liberte.
Como?
Pra você,
eles estão mortos.
Não existem.
Com você,
não compartilham o mesmo lugar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

STATUS QUO













Fotografia: Pôr-do-Sol
http://www.flickr.com/photos/fotos_ilca/304939534/

Ao entardecer,
com os cabelos
a entoarem a canção dos ventos,
enquanto caminhava pela paisagem,
ao ver o sangue que brotava de um pássaro:
assustei-me.
Andei depressa.
Apressei-me.
Como se sentisse uma vertigem.
Como se fosse este
o Instante Único,
por mim visitado.
Sentei-me no Banco do Jardim.
Que ficava no meio do emaranhado
dos meus pensamentos
e das árvores que adquiriram vida própria.
Absorto a idéias
pungentes
e dissolutas
que me levaram
ao estado em que me encontrava.
Desconexo. Alheio.
Perplexo.
Um cair
de chuva de verão
me levantou,
me levou de volta para casa.
Ao chão firme.
Ao já estabelecido.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717592

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UNO

Com o suor
a retirar o sal
do meu corpo
e a percorrer
o meu prazer
que havia adormecido.
Encontrei você.

Resgatei-me
no seu hálito,
no seu corpo,
no seu sexo.

Perdido, não mais estou.
Agora, não sou um.
Somos uno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717586

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

RAINHA DOS VENTOS

















Iansã

http://www.omo-obatala.net/OYA.html

Nem uma Brisa
a balançar meus cabelos.
Tudo parado. Estático.
Imóvel.
O sol do entardecer
a me queimar a pele.
Nem um Vento se levanta.
Só eu.
Que corro até a beira do mar.
E começo a movimentar as águas.
A barulhar.
Na tentativa de acordar Iansã
para vê-la reinar,
com o Vento a viver,
com o Vento a ventar.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716697

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SIMPLESMENTE ISSO

Ao balançar do vento
Ao apagar do tempo
Simplesmente isso
Descobri que te amo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716692

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TEMPO: TEMPO
















Fotografia: Ampulheta
http://nuieee.fe.up.pt/~ei00020/screen_shots?D=D


Enquanto o tempo
se debatia,
se rebelava,
adentrava à vida,
lá ia o homem à sua procura:
à procura de um tempo perdido,
vivido,
achado,
não encontrado
ou por viver.
Talvez,
tenha ficado no passado
ou no presente
ou, até, no futuro.
Disto, não podemos saber.
Ele nos escapa entre os dedos das mãos.
Em cada sinal de expressão surgido em nossa face.
A cada nova conquista.
A cada reconquista.
A cada imagem que vemos em nós surgir.
A cada detalhe.
A cada novo entalhe:
que nos traz o refinamento da vida,
do espírito,
da alma.
Tempo:
labirinto dos que sentem,
dos que amam,
dos que vivem intensamente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671804

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MULHER














Fotografia: Rosa
Acervo Pessoal

Mulher.
Mulher, quem és?
Alice?
Joana?
Maria?
Ou um outro nome qualquer?
Mas és mulher:
mulher da vida,
mulher da rua,
mulher do lar,
mulher bendita,
mulher de todo lugar.
Só a ti veneramos.
Só de ti necessitamos.
Em ti, a vida pulsa,
vida minha,
vida tua,
vida nossa.
“Bendito sois o fruto do vosso ventre:”
mulher.
Mulher do dia,
mulher da noite,
mulher de todo o dia,
mulher de todo o sempre.
Mulher tua.
Mulher minha.
Mulher nossa.
Simplesmente.
Mulher...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007
Código do texto: T670951

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BLECAUTE


















Fotografia: Blecaute
http://www.sinpro-rs.org.br/extra/abr99/capa_extra-pauta.htm

Na minha
infinita impaciência
de não querer
te compreender
e no teu
arrogante jeito
de não me escutar
de não me compreender.
Deparei-me com o Inusitado.

Blecaute.

Estou aos pedaços
me recompondo
silenciosamente
peça por peça.
Observado. Vigiado.
Escandalosamente
acalentado por você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714829

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LINHA CRUZADA

















Fotografia: Sinal Fechado



Estou num sinal semi-fechado.
Para onde seguir?
Os caminhos nem sempre são seguros.
Os obstáculos já são.
O que fazer?
Os sentimentos fervilham.
O coração palpita.
A vida escorre entre o doce amargo da minha boca.
Os olhos imóveis filtram o in-finito.
As mãos pendem à procura de um colo para acariciar.
As pernas tombam.
Perdem o equilíbrio.
Será que este equilíbrio existe?
Ou é só invenção?
Não importa.
Sei que estou atônito.
A procura do outro.
Do outro que sou eu.
Que é você.
A procura do eu.
Do eu escondido dentro de mim.


Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671805

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AO ESCREVER















Fotografia: Escrevendo
http://www.insidenet.com.br/administracao/imagens

Ao escrever
busco me soltar.
Desprender-me das amarras,
dos pré-conceitos, dos medos.
Despir-me.
Para o pensamento
bater asas e voar.
Voar tão alto, tão longe.
Sair de mim.
Transmutar-me
em outras pessoas,
conhecer outros sentires,
outros “viveres” viver.
Se belo,
as sensações que tive,
no papel ficará,
não me importa.
O que me importa
é que é poesia,
é energia criadora,
é o pulsar inquietante
do de dentro de uma pessoa,
que se machuca,
se lamenta,
se arrebenta,
se dói pra fazê-la brotar.
Quando nasce...
É Rebento.
Fruto Maduro.
A mim,
não mais pertence.
Pertence ao Mundo,
que ficará com o papel
de a ela Julgar, Apreciar,
Odiar ou Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714444

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