quinta-feira, 8 de novembro de 2007

AO PÉ DA LETRA













Título: Interrogação
http://www.expiate.blogger.com.br/2004_06_01_archive.html

Não quero mais te ver.
Não quero mais te sentir.
Não quero que me perturbes.
Não quero te amar.
Quero.
Outra vez.
Ver o dia clarear.
De você?
Quero distância.
Quilômetros e quilômetros.
Bem longínquo.
Para eu passar os dias a me banhar,
para o teu cheiro tirar.
Arrancar do meu corpo
que ainda te exala.
E anda bêbedo.
Pelas ruas.
Pelas esquinas.
Quero que nos meus sonhos: não existas.
Que dos meus pensamentos: eu te apague.
Quero livrar-me de ti.
Nem que seja a fórceps.
Não te quero mais em mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678990

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FUGA















Título: Triplo Ponto de Fuga
http://www.flickr.com/photos/kennojc/523833373/

Estou a me preparar
para a fuga.
Fugirei pra bem longe
para um lugar
onde não possa
ser avistado.
Lá,
no bem longe,
troco de nome,
mudo os cabelos,
me disfarço.

para não ser reconhecido
por alguém
que possa lhe dar informações
sobre mim.
Não quero que me encontre.
Não quero mais lhe ver.
De você,
só quero distância.
Uma distância
calculada ao cubo,
pela falta de amor
que senti
de você por mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728784

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HARMONIA




















Título: Harmonia
http://www.hellados.ru/gallery/pic

Sobreviver
As agruras
Do amor
É tarefa árdua
Difícil
Tem de se estar
Em total harmonia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2007

Código do texto: T728787

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

NO SÓTÃO















Título: Sótão
http://vivesonhos.blogspot.com/2005/08/reencontros.html


Tempestade.
Ventania.
Ouço barulhos
no sótão.
Um andar?
Um caminhar?
Atônito fico.
Escondo-me
detrás das grossas cortinas.
Tudo em silêncio.
Somente o barulho
do vento e da chuva.
Começo a me tranqüilizar.
Novos barulhos.
Mais fortes.
Janelas a baterem.
A luz se apaga.
Trêmulo.
Tomo coragem.
Acendo uma vela,
após várias tentativas.
Vacilante.
Indeciso.
Subo a escada
que me levará ao incógnito,
pé ante pé,
deslizando sobre as tábuas corridas.
Abro a porta,
bem devagar,
sem ruídos a fazer.
Espanto-me!!!
Encontro
os meus Fantasmas
a fazerem um tudo
com meus pensamentos,
com meus sentimentos,
jogando-os todos pro alto,
pra quando caírem,
caírem de pernas pro ar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726857

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CINZAS




















Título: La Mascara del Galeón
http://www.flickr.com/photos/22088708@N00/192758784/


Rasgaste minha fantasia.
Me deixaste exposto.
Com o corpo
e o rosto
à mostra.
Não refletiste.
Me magoaste,
de mim zombaste.

Hoje,
com outra fantasia a usar
que não irás rasgar.
Não a conheces,
nem a conhecerás.
Só eu passarei por ti
e te reconhecerei
e lembrarei
que tu fizeste
parte de um Carnaval
que para mim
transformaste
em Cinzas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2007

Código do texto: T726853

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

CONFISSÃO















Título: Confissão
http://www.flickr.com/photos/ccasado/47872559/

Confesso:
estou cansado,
exausto.
A vida
já me pesa o corpo.
Me sinto modificado,
adulterado.
A cópia
que reluz
à minha frente,
embaçada,
sem viço,
parece não ser a minha.
Será a de outra pessoa?
O invólucro
se transformou.
Transformaram.
Me vejo,
outro.
Em tudo.
No andar,
no caminhar,
no pensar,
no dizer,
no amar.
Não dá.
Respeito.
As marcas que o tempo me deu.
São sinais de que vivi.
Vivo.
Reverencio o tempo.
Sinto a vida.
Pulse a vida.
Pulse.
Pulse.
Pulse tanto.
Pulse para não me pesar.
Para a pena continuar a caminhar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/10/2007

Código do texto: T682027

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PALAVRAS AO VENTO














Título: Vento
http://www.flickr.com/photos/momentodecisivo/53789769/

Noite.
Lua.
Claro.
Luz.
Sol.
Dia.
Azul.
Verde.
Mel.
Castanho.
Preto.
Olhos
Branco.
Negro.
Todas as cores.
Natureza.
Mar.
Pássaros.
Gaivotas.
Mais pássaros.
Peixes.
Muitos peixes.
Barcos.
Muitos barcos.
À praia ancorando.
Curiosos.
Mulheres.
Crianças.
Festa..
Muita festa.
Redes.
Redes cheias.
Homens.
Homens felizes.
Pescadores.
Talhados pela sereia do mar:
Iemanjá.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/10/2007

Código do texto: T678459

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CALMARIA














Título: Píer da Praia do Centro, ao entardecer

Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Agora.
Calmaria.
Redemoinhos de ventos.
Turbilhões de pensamentos.
Tempestades. Trovões.
Passaram.
Todos a salvo?
Alguns.
Sentimentos, contatos.
Importantes?
Quiçá.
A balança não pesou.
Agora.
Torpor.
Leveza?
O corpo adormecido nu.
A alma desnuda.
Os olhos vagos.
À procura.
De quê?
O olhar,
o pensar,
no intangível.
Na busca de um porto.
Porto seguro.
Pra naufragar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2007

Código do texto: T688257

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AMIGO














Título: Flores Amarelas
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Uno.
Bilateral.
Transforma-se
em “mils”.
Para entender-me melhor.
Escutar-me melhor.
Irmão.
Pai.
Mãe.
Só você a realizar esta tarefa.
Dedicado.
Delicado.
Não mais ousado.
Sutil.
Cheio de mesuras no falar.
Cheio de mesuras no dizer.
Guia.
Farol.
Guru.
Tudo isso.
E, muito,
muito mais.
Amigo.


* Dedicado Eduardo Moura

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/10/2007
Código do texto: T682799

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ETERNO OLHAR




















Título: Mãe

http://www.flickr.com/photos/lairilai/154086664/

Olhos de água.
Olhos de chuva.
Olhos de mel.
Olhos de mar.
Verdes.
Lindos,
como ondas a marulhar,
como os raios,
no céu,
a cintilar.
Como as matas,
nos campos,
após as chuvas,
em busca
do esverdear.
Olhos meus.
Que me embalaram,
que me amamentaram,
me acalentaram,
me ensinaram,
me moldaram,
me tornaram o que sou.
Olhos que me olham:
com amor,
respeito,
dedicação.
Olhos infinitos:
nunca se perderão.
Continuarão dentro de mim.
Do meu sangue.
Do meu eu.
Do meu coração.
Eterno amar.
Terno olhar.
Verdes olhos:
musa,
mãe.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671801

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RECADO














Título: Recado
Não possuo nervos de aço.
Muito menos sangue de barata.
Sinto.
Sofro.
Me descabelo. Me esculacho.
Me desmancho.
Desmonto.

Não dou o braço a torcer.

Não meças força comigo.
Nada tens a ganhar.
Não sou a Traição.
Tu. Só tu.
Estás colocando tudo a perder.

Santo, não sou.
Não quero.
Incomoda.
Quero pecar.
Me molestar. Me entregar.
Me ferir. Te ferir.
Andar por lugares escuros.
Por becos escusos.
Beber da bebida dos Loucos.
Beber da bebida dos Bêbedos.
Me embriagar.
Andar na corda bamba.
Tropeçar.
Cair.
Levantar.
Sublimar.

Porém ,
uma certeza eu tenho:
não te quero mais.
A apertar o meu peito.
A sangrar o meu coração.
A matar o meu desejo.
A violar a minha “despudoração”.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2007
Código do texto: T699213

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IANSÃ




















Título: Iansã
http://agora.ya.com/umbanda21

Venta.
Venta muito.
Venta forte.
Minha Rainha
está a reinar.
E eu,
seu fiel súdito
estou atarefado
a observar,
a olhar,
a admirar,
a sentir sua força
a percorrer
outros reinos,
que ficam paralisados.
Estagnados.
Em estado
de contemplação,
com o anúncio do seu passar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007
Código do texto: T725335

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DESENCANTO















Título: Tristeza

http://igorfrota.blogspirit.com/

Sai na tua busca,
ao teu encontro.
Percorri estradas.
Caminhos.
Andei por vielas.
Ruelas.
Escorreguei nos guetos.
Não te encontrei.
Encontrei teu hálito,
teu cheiro
a perfumarem
todos os cantos,
todas as gentes,
numa mistura
com suor e sexo.
Desencantei-me.
Fugi.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2007

Código do texto: T725324

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

LINHA TÊNUE




















Título: Trapezista
Tempo.
Abafado.
Sem chuva.
Sem vento.

Eu.
Sem prumo.
Sem rumo.
Agoniado.
Após cruzar
a linha tênue
entre o agora
e o que se tentou
deixar para trás,
não se conseguiu,
fcou,
continua no hoje,
no agora,
no sempre.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007
Código do texto: T724530

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MEDUSA















Título: Medusa
http://desktopreflections.com/previews/medusa.html

Olhos. Olhos. Olhos.

Olhos vivos.
Olhos abertos.
Obscenos.
Devassadores.
Olhos observadores.
Olhos disléxicos.
Todos
a te olharem.
A te observarem.
A te encurralarem.
A buscarem
o teu olhar.
Tentando nele
se fixarem.
Para te paralisarem.
Transformarem-te numa Estátua.
Que não sofre.
Não se dói.
Não sente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007

Código do texto: T724527

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domingo, 4 de novembro de 2007

TUDO




















Título: Coração na praia
http://bloguiando.blogs.sapo.pt/

Nada a dizer.
Nada a declarar.
Tudo a sentir.
Tudo a rebuliçar.
Revolver
por dentro.
Querendo sair.
Querendo romper
e fazer brotar
o mais forte sentimento:
o de Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722837

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FANTASMAS














Título: Fantasma

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Fantasmas
vieram me visitar.
Todos.
Vieram me povoar.
Sonos.
Sonhos.
Pensamentos.
Todos se aportaram
para me atormentar.
Fantasmas
que julgava mortos.
No passado.
No futuro.
No presente.
Aqui estão
a me assombrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722834

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sábado, 3 de novembro de 2007

FLORES



Título: Quaresma
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Flores mil.
Verdes.
Azuis.
Vermelhas.
Brancas.
Amarelas.
Cor de anil.
Flores vivas.
Cheias de vida.
Repletas de cheiros.
Venham embelezar Afrodite
com uma grinalda,
tecida pelos beija-flores,
com hera e tons variados.
Multicores.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007
Código do texto: T721600

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ENTARDECER



Titulo: Pôr-do-Sol

Praia do Centro - Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Antônio de Moura

Sinto o entardecer
cair lentamente
diante dos meus olhos.
Mágico. Surpreendente.
Um espetáculo.
De Deuses.
De Orixás.
Reverenciado
por uma platéia
comovida.
Entardecer
que acontece todos os dias.
Mas,
o de hoje,
não é igual,
é singular.
É meu.
É nosso.
Se diferencia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007

Código do texto: T721601

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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SIMPLES














Fotografia: Simples

http://www.flickr.com/photos/giselle/1138831649/


Puro.
Como o olho d’água a terra perfurar.
Como os pássaros ao vento se deixarem levar.
Como o encontro do mar com o rio num contínuo acasalar.
Como a mãe em seus braços a embalar..
Árvores.
Céus.
Sol.
Chuva.
Correria.
Trem.
Praça.
Brinquedo.
Febre.
Criança.
Vó.
Se foi.
Puro.
Puro.
Simples assim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007

Código do texto: T677006

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LÁGRIMAS




















Título: Pietá
Autor: Michelangelo

http://www.samford.edu/~tsmcginn/bp/Christ_art.html


Gota.
Gotícula.
De suor.
De chuva.
De sangue.

Gota
derramada dos olhos
de um menino
ao perder-se
para o Mundo
pelas mãos de uma vida a margem.

Gotas
gotículas
de sangue
derramadas
pelos olhos e pelo coração
de uma mulher.

Uma desesperada Mãe
inconsolada.

Lágrimas. Lágrimas.
Puras. Cristalinas.

Lágrimas. Lágrimas.
De indignação. De dor.
De perda. De pavor.
De amor.

Lágrimas. Lágrimas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720133

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INCONSTÂNCIA




















Obra: Inconstância
Autor: Goitto di Bondone

http://www.artehistoria.com/genios/cuadros/15317.htm


A tua instabilidade
me corrói
expõe minhas vísceras
me faz hibernar
colocar num buraco a cabeça
como um avestruz
para me esconder
não te ver
não te encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720132

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

VENTO













Título: Ventania

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/ambientehome.htm


Voar. Voar.

Voe vento
Voe devagar
Sopre no meu rosto
Faça-me um carinho
Chegue mais perto
Bem de mansinho
Sussure ao meu ouvido
Devagarzinho
Baixinho
Em silêncio
Em segredo
Em segredo só nosso
Diga-me quando
O meu Cheiro
O meu Dengo voltará.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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PRISÃO















Fotografia: Prisão de Goiás Velho


Pensamentos.
Insones.
Despertos.
Amordaçados.
Não conseguem
sair daqui de dentro.
Aprisionados.
Você os encurralou.
Jogou-os do 10º andar.
Agora,
quer que eu os liberte.
Como?
Pra você,
eles estão mortos.
Não existem.
Com você,
não compartilham o mesmo lugar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

STATUS QUO













Fotografia: Pôr-do-Sol
http://www.flickr.com/photos/fotos_ilca/304939534/

Ao entardecer,
com os cabelos
a entoarem a canção dos ventos,
enquanto caminhava pela paisagem,
ao ver o sangue que brotava de um pássaro:
assustei-me.
Andei depressa.
Apressei-me.
Como se sentisse uma vertigem.
Como se fosse este
o Instante Único,
por mim visitado.
Sentei-me no Banco do Jardim.
Que ficava no meio do emaranhado
dos meus pensamentos
e das árvores que adquiriram vida própria.
Absorto a idéias
pungentes
e dissolutas
que me levaram
ao estado em que me encontrava.
Desconexo. Alheio.
Perplexo.
Um cair
de chuva de verão
me levantou,
me levou de volta para casa.
Ao chão firme.
Ao já estabelecido.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717592

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UNO

Com o suor
a retirar o sal
do meu corpo
e a percorrer
o meu prazer
que havia adormecido.
Encontrei você.

Resgatei-me
no seu hálito,
no seu corpo,
no seu sexo.

Perdido, não mais estou.
Agora, não sou um.
Somos uno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717586

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

RAINHA DOS VENTOS

















Iansã

http://www.omo-obatala.net/OYA.html

Nem uma Brisa
a balançar meus cabelos.
Tudo parado. Estático.
Imóvel.
O sol do entardecer
a me queimar a pele.
Nem um Vento se levanta.
Só eu.
Que corro até a beira do mar.
E começo a movimentar as águas.
A barulhar.
Na tentativa de acordar Iansã
para vê-la reinar,
com o Vento a viver,
com o Vento a ventar.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716697

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SIMPLESMENTE ISSO

Ao balançar do vento
Ao apagar do tempo
Simplesmente isso
Descobri que te amo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716692

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TEMPO: TEMPO
















Fotografia: Ampulheta
http://nuieee.fe.up.pt/~ei00020/screen_shots?D=D


Enquanto o tempo
se debatia,
se rebelava,
adentrava à vida,
lá ia o homem à sua procura:
à procura de um tempo perdido,
vivido,
achado,
não encontrado
ou por viver.
Talvez,
tenha ficado no passado
ou no presente
ou, até, no futuro.
Disto, não podemos saber.
Ele nos escapa entre os dedos das mãos.
Em cada sinal de expressão surgido em nossa face.
A cada nova conquista.
A cada reconquista.
A cada imagem que vemos em nós surgir.
A cada detalhe.
A cada novo entalhe:
que nos traz o refinamento da vida,
do espírito,
da alma.
Tempo:
labirinto dos que sentem,
dos que amam,
dos que vivem intensamente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671804

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MULHER














Fotografia: Rosa
Acervo Pessoal

Mulher.
Mulher, quem és?
Alice?
Joana?
Maria?
Ou um outro nome qualquer?
Mas és mulher:
mulher da vida,
mulher da rua,
mulher do lar,
mulher bendita,
mulher de todo lugar.
Só a ti veneramos.
Só de ti necessitamos.
Em ti, a vida pulsa,
vida minha,
vida tua,
vida nossa.
“Bendito sois o fruto do vosso ventre:”
mulher.
Mulher do dia,
mulher da noite,
mulher de todo o dia,
mulher de todo o sempre.
Mulher tua.
Mulher minha.
Mulher nossa.
Simplesmente.
Mulher...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007
Código do texto: T670951

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BLECAUTE


















Fotografia: Blecaute
http://www.sinpro-rs.org.br/extra/abr99/capa_extra-pauta.htm

Na minha
infinita impaciência
de não querer
te compreender
e no teu
arrogante jeito
de não me escutar
de não me compreender.
Deparei-me com o Inusitado.

Blecaute.

Estou aos pedaços
me recompondo
silenciosamente
peça por peça.
Observado. Vigiado.
Escandalosamente
acalentado por você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714829

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LINHA CRUZADA

















Fotografia: Sinal Fechado



Estou num sinal semi-fechado.
Para onde seguir?
Os caminhos nem sempre são seguros.
Os obstáculos já são.
O que fazer?
Os sentimentos fervilham.
O coração palpita.
A vida escorre entre o doce amargo da minha boca.
Os olhos imóveis filtram o in-finito.
As mãos pendem à procura de um colo para acariciar.
As pernas tombam.
Perdem o equilíbrio.
Será que este equilíbrio existe?
Ou é só invenção?
Não importa.
Sei que estou atônito.
A procura do outro.
Do outro que sou eu.
Que é você.
A procura do eu.
Do eu escondido dentro de mim.


Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671805

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AO ESCREVER















Fotografia: Escrevendo
http://www.insidenet.com.br/administracao/imagens

Ao escrever
busco me soltar.
Desprender-me das amarras,
dos pré-conceitos, dos medos.
Despir-me.
Para o pensamento
bater asas e voar.
Voar tão alto, tão longe.
Sair de mim.
Transmutar-me
em outras pessoas,
conhecer outros sentires,
outros “viveres” viver.
Se belo,
as sensações que tive,
no papel ficará,
não me importa.
O que me importa
é que é poesia,
é energia criadora,
é o pulsar inquietante
do de dentro de uma pessoa,
que se machuca,
se lamenta,
se arrebenta,
se dói pra fazê-la brotar.
Quando nasce...
É Rebento.
Fruto Maduro.
A mim,
não mais pertence.
Pertence ao Mundo,
que ficará com o papel
de a ela Julgar, Apreciar,
Odiar ou Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714444

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domingo, 28 de outubro de 2007

SINA
















Fotografia: Sina
http://gg.mop.com/img/sina

Todos temos uma sina.
Um destino a se cumprir.
Para uns, dizem os antigos:
o fardo é mais leve,
para outros, mais pesado.
Mas, todos,
a temos que realizar.
É como se fosse um sinal
que cada um carrega consigo.
Para muitos,
ela já nos vem traçada.
Para, outros, muitos,
nós mesmos a traçamos.
E, vivemos neste dilema:
Qual a minha missão a cumprir?
Se este encargo existe,
acredito que seja o de olhar para o outro.
O outro que está a meu lado.
E, como um espelho fosse:
esse outro sou eu.
Pois me reflete.
É igual a mim.
Perante todas as leis:
vinda dos céus
ou dos homens.
Portanto,
eu sou o outro
e o outro sou eu.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007

Código do texto: T670960

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BRILHO














Título: Sol Brilhante - Praia do Centro
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Brilho-manhã.
Brilho-dia.
Brilho-sol.
Brilho dos meus olhos.
Brilho dos teus olhos.
Brilho do teu corpo.
Brilho do meu corpo.
Brilho-noite.
Brilho dos nossos corpos.
Brilho dos nossos êxtases:
dos nossos encontros.
Brilho do espaço.
Espaço do céu.
Da lua.
Das estrelas.
Da vida.
De ti.
De mim.
De nós.
Brilho-amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2007
Código do texto: T673325

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Fotografia: Vento
http://www.manualedimari.it/blog?p=331


Com o vento
a Brincar
e a se Enroscar
em todo o meu Corpo,
desatei o Nó
que me prendia a Ti.

Agora
cada Um
segue o seu Caminho,
cada Qual
com seu Andar,
com seu Sonhar,
com seu Jeito de Encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/10/2007

Código do texto: T713334

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sábado, 27 de outubro de 2007

FURTO
















Fotografia: Sonho Fantasia

http://www.flickr.com/photos/murilografics/1261653496/

Queria
Roubar-te os Sonhos
Com eles Brincar
Vivê-los em mim
Não posso
São Teus
Os Meus são os Meus
Mas não consigo
Com eles encontrar
Estão Dispersos
Perdidos
E pela vidraça
Vejo a Chuva cair
Fortemente lá fora.

Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 27/10/2007

Código do texto: T712068

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ESPANTO


















Fototografia do Beija-Flor Bico-de-Agulha

http://www.flickr.com/photos/flaviocb/860726837/

Na volátil
Curva do tempo
Encontrei
No jardim
De um Edifício
No centro da Cidade
Um beija-flor
A retirar o néctar
Duma Flor de Pedra.
Sucumbi.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/10/2007

Código do texto: T711999

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

INÉRCIA

























Fotografia: Equilíbrio
http://bitacoradefarrio.typepad.com/photos/bichos/equilibrio.html

Ponto de desequilíbrio.
Equilíbrio. Tonteante.
Ponto de deserção.
Sentimentos.
Soturnos. Difusos.
Ponto de ebulição.
Desencontros.
Desencantos.
Ponto de estagnação.
Encontros.
Ponto de encontro.
Busca.
De um sentir.
De um novo jeito de amar.
De se amar.
De gozar. Regojizar.
De viver.
Para que o tudo conquistado
Caminhe. Modifique.
Ponto a ponto.
Se instaure.
Saia da Inércia.

Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 15/10/2007
Código do texto: T695602

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PAIXÃO
















Fotografia: Paixão
http://lotus2.blogs.sapo.pt/

Sinto um cheiro
a me envolver,
a me rodear.
Fazendo-me bailar
num torpor
enebriante.
Sem medidas.
Despudorante.
Numa onda
de frio e calor.
Num Sol reluzente.
Quente.
Num Vento forte.
Num Vendaval.
Num Temporal.
Com sabores mil.
Cravo, canela, pimenta.
Não é Delírio.
È Paixão.
Paixão Violenta.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 26/10/2007

Código do texto: T710435

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

MACABU: TERRA-VIDA EM MIM



















http://www.estacoesferroviarias.com.br./


Em ti não acordei.
Mas, de ti, todo o meu passado herdei.
Em ti brinquei.
Soltei pipa.
Joguei bola.
Em tuas águas me banhei.
Em teu sol me queimei.
Neste vasto verde,
me encantei,
me encanto
e me encantarei.Tu, tornaste-me árvore frondosa
enraizada no teu solo,
no teu chão.
Chão que percorro descalço,
como um menino,
em busca de uma fruta caída, madura,
em tantos pomares espalhados por ti,
em busca da Maria Fumaça
que chegava
e embora ia,
trazendo e levando notícias:
pessoas que vinham e iam,
sem ou com destino.
E, você, sem nada nos prometer:
só uma nova espera.
E, nós,
com muita fé em Nossa Senhora,
de Conceição, da Conceição,
padroeira da nossa gente.
A Maria Fumaça não mais voltou.
Que pena!
Nos esqueceu.
Mas, o meu chão, ainda percorro.
Em pensamentos.
Em fantasias.
Em ilusões.
Em desilusões.
Em devaneios.
Em recordações
vividas,
sonhadas,
perdidas,
nunca esquecidas.
Sempre lembradas.
Relembradas.
Contigo cresci.
Aprendi.
Tornei-me uma árvore,
ainda mais frondosa.
Mas, por todos os cantos em que ando
só em ti penso.
És minha terra.
Meu lugar.
Meu lar.
E, “quando a indesejada das gentes chegar”*,
É neste céu, de um azul que não há descrição.
É neste chão, que tanto pisei,
que para todo o sempre quero, novamente, pousar.

* Menção a um verso de Manuel Bandeira.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/09/2007
Código do texto: T674738

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DESABAFO




















http://oblogdorapaz.blogs.sapo.pt/81635.html

Não sei como primas
pela grosseria.
Pela falta de cortesia.
Pela, sua constante,
Cara Amarrada.
Pela idiossincrasia.
Não consegues me ver feliz.
Tranqüilo. Pacato.
Tens de desestabilizar.
Desaprumar. Arruinar.
Cansar.
O pior
é que mexes
com o meu todo.
Físico.Essencial.
Não podes.
Não quero te permitir.
Prefiro me isolar.
Me calar.
Voltar pro casulo.
Me mumificar.
Do que estar exposto a ti.
E a teu humor desagradável.
Infernal.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2007
Código do texto: T709585

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POETAR
















Fotografia da Obra de Rafael: Escola de Atenas

Poetizar
é magia de parturiente,
nascer de um rebento.
É escolher a palavra,
atentamente,
com a emoção aflorada,
por ela apaixonar-se,
limá-la, encaixá-la.
Se não convir, descarte-a.
Garimpe outra.
Assente-a no lugar delicadamente.
Se amoldar,
agora é lapidar.
Lapidá-la no poema,
no contexto.
Poetar.
Conseguir gemas raras
para o que teces não fenecer.
O poema não se abortar.
A nenhum ouvido pode ferir.
A todos os olhos procurar aglutinar.
Se conseguir suportar
toda esta Ebulição.
Agonia. Dor.
Se na Paciência persistir.
Se as palavras precisas
conseguiu peneirar.
Fique calmo.
A Poesia brotou.
Poeta.

Edilmar Amaral


Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2007
Código do texto: T709085

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

MEDO





















Foto: Solidão


Sinto medo.
Muito medo
de tudo voltar.
Do mundo
que vive em mim parar.
Estou agoniado.
O peito pesado.
O corpo fraco.
A cabeça a zerar.
A entrar em pânico.
Não quero novamente
ao limiar da vida retornar.
Frio.
Muito frio.
Não pode.
Não pode
de novo acontecer.
Tenho de continuar.
Me levantar.
Tenho de andar.
Caminhar.
Ficar solto. Leve.
Independente. Ao teu lado.
Dependente de você

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2007
Código do texto: T708046

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RECORDAÇÕES














Antiga Estrada de Ferro
Conceição de Macabu - RJ - Brasil
Foto de meu acervo particular

Dia frio.
Chuvoso.
Gélido.
Só recordações me trazem.
De um amor
menino.
De um lugar que vive
no mais íntimo de mim.

Cronos não perdoou.
Correu o tempo.

Dia frio.
Chuvoso.
Gélido.
Só recordações me trazem.
De um amor
maduro.
De um vazio
que se esconde
dentro de mim,
bem fundo.

Meu chão.

Não o lugar
de onde escrevo
a sonhar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2007
Código do texto: T707474

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

RIO DAS OSTRAS














Rio das Ostras - Rio das Ostras - RJ - Brasil
Foto cedida por Eduardo Antônio de Moura


Divisor de águas.
Divisor de margens.
Fazes a vida brotar.
Viva. Inata.
Pura. Cristalina.
Águas doces.
Onde vejo barcos a bailar.
Pescadores a navegar,
a buscar o ganha-pão,
em ti
ou quando se encontras com o mar.
Águas misteriosas.
Tesouro de segredos.
Segredos impublicáveis.
Segredos incontáveis.
Vivos na memória dos antigos.
Na imaginação de um Povo Nativo.
Forte.Guerreiro.
Que sobreviveu ao Passado.
Sobrevive ao Presente.
Sobreviverá ao Amanhã.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/10/2007
Código do texto: T706428

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ESTIGMA

Vejo marcas
por todos os lados.
No quintal,
na casa,
no quarto,
em você.
Percorro o teu corpo
a procurar pelos sinais,
para averiguar
se a mim pertencem,
se foram deixados por mim.
Engano.

O que pensar?
O que dizer?
O que fazer?
Fingir que não vi?
Gritar, esbravejar, brigar?
Não.

Cena muda.
O melhor
é manter-me calmo, anestesiado,
com os olhos fechados,
a boca calada,
as pernas e as mãos atadas.
Quieto.

E fingir.
Fingir, sim.
Que as marcas
foram feitas por mim.
Pelo furor
de uma intensa noite
do nosso amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/10/2007

Código do texto: T705950

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

NU




















Fototografia: David de Michelangelo

Estou totalmente só.
Escondido nos meandros da emoção.
Flagelado. Nu.
As roupas, deixei-as cair pelas ruelas.
Amordaçavam.
Aprisionavam.
Tirei-as. Tiraram-nas.
O perfume que me impregnava era doce.
Selvagem. Rascante.
Deixei-o no ar.
Nos lençóis.
Nos beijos. Nos abraços.
Nos corpos perdidos a buscar:
prazer, dor, amor.

Onde estou?
Ao certo, não sei.

Mas, a chuva cai.
Cai Forte.
Brava. Furiosa.
E lava a minha alma.
E lava a minha terra.
E lava todo o meu corpo cansado e despido.
Para, depois,
ele, no chão, repousar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/10/2007
Código do texto: T705180

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INSÔNIA

A noite desce.
Sobre o telhado de todas as casas.
O silêncio chega.
Ouve-se apenas alguns ruídos,
que ressoam com o decorrer do tempo.
Au, au, au, au.
Miau, miau, miau.
Tic-tac-tic-tac-tic-tac.
Sons da quietude da madrugada.
Vira-se de um lado para o outro.
Nada.
Perturbações. Suores. Delírios.
Inquietude. Irritação.
Pensamentos.
Imagens em movimento.
Lembranças.
O vento uiva.
Sono acordado.
Nada.
O dia a clarear.
Galo a cantar.
Homem. Carroça.
Cavalo a trotar.
Sol despertado.
Quente.Abafado.
Levante-se !!!
Hora de um insone acordar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/10/2007

Código do texto: T704460

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