segunda-feira, 22 de outubro de 2007

NU




















Fototografia: David de Michelangelo

Estou totalmente só.
Escondido nos meandros da emoção.
Flagelado. Nu.
As roupas, deixei-as cair pelas ruelas.
Amordaçavam.
Aprisionavam.
Tirei-as. Tiraram-nas.
O perfume que me impregnava era doce.
Selvagem. Rascante.
Deixei-o no ar.
Nos lençóis.
Nos beijos. Nos abraços.
Nos corpos perdidos a buscar:
prazer, dor, amor.

Onde estou?
Ao certo, não sei.

Mas, a chuva cai.
Cai Forte.
Brava. Furiosa.
E lava a minha alma.
E lava a minha terra.
E lava todo o meu corpo cansado e despido.
Para, depois,
ele, no chão, repousar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/10/2007
Código do texto: T705180

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Um comentário:

Alacir disse...

Sei bem da força que fazemos para nos olhar no espelho e expor nossas víceras: a dor da criação!
Sei, também, do prazer que nos inunda ao contemplar no papel cada filho gerado e entregue ao mundo! Independente do que pense o mundo! Parabéns, não é fácil burlar a vigilância da censura interior e ser confecional. E as ilustrações completam com harmonia a delicadeza dos textos. Um grande abraço,

Alacir