quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

TEMPO DE CHUVA














Título: Cachoeira
Tempo de chuva.
Não de estio.
Tempo de regar
a terra sedenta
faminta por água
pra sobreviver.

Tempo de chuva.
Tempo dos rios
sentirem o acalanto
que brota dos céus,
para recuperarem
e escassez da água cristalina
e o veio d’água voltar a germinar.

Tempo de chuva.
Tempo de vida.
Tempo fértil.
Tempo do amor.
Tempo do viver.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/12/2007
Código do texto: T785622

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DE TI, ME PERDI

Não sei o por quê,
a partir de meio do caminho
me perdi de ti.
Os nós desataram-se.
Tudo tornou-se
ínfimo, pequeno,
sem valor.
Percebi
que não mais te quero.
O que me fazes sentir não é bom.
Dói.
Magoa.
Machuca.
Humilha.
Não há culpas.

Ou há?

Não sei o por quê,
me perdi,
totalmente,
de ti.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/12/2007

Código do texto: T785628

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

OXUM
















Título: Oxum
http://yle.iya.nom.br/yleiya/figuras/imDesIII/images/oxum.jpg

És pura.
Cristalina.
Água da fonte.
És simples.
Deusa.
Inspiração
para um poeta.
Vives
pelas Cachoeiras
a cantar,
a se banhar.
És minha.
És tua.
És Divina.
És Oxum.
És Rainha.
És Mulher.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/12/2007
Código do texto: T783467

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SILÊNCIO













Título: Pantanal
http://pessoal.onda.com.br/charlesb/fotoarte/pant002/pant0017

O céu nublado.
O tempo frio.
Os reflexos da chuva
da noite.
Tudo em silêncio.
Parece
que todos se esconderam.
Nem os pássaros
querem comigo falar.
Todos se aninharam.
Só eu estou
à procura de um ninho
para me aconchegar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/12/2007

Código do texto: T783464

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

VESTÍGIOS













Título: Rosa Amarela
http://semprepoesias.com.br/06arneyde.marcheschi/09b.jpg

Lençóis amassados
Roupas pelo chão
Corpos delicados
Nus
Deitados
Entrelaçados
Fatigados
Vestígios da noite.
Vestígios do amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2007

Código do texto: T782097

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ANSIEDADE

O telefone não toca.
A campainha
continua muda.
Estou a esperar
para a conversa
que teríamos de ter
há anos.
Não tivemos.
Adiamos.
Adiamos.
Crise sobre crise.
O caminho, sempre,
contornado,
nunca acertado,
discutido,
verbalizado.
A campainha
dá o sinal.
Abro a porta.
É você.
E sem nada dizermos,
entreolhamo-nos,
com olhos marejados d’água.
E sem uma palavra ser dita,
resolvemos
que aquela é a hora
do nosso tudo findar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2007

Código do texto: T782096

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domingo, 16 de dezembro de 2007

MOÇA BONITA











Título: Marylin Monroe
O vento
remexe na saia rodada
da Moça Bonita.
Levanta-a.
Todos, admirados, olham
para o belo contorno do seu corpo.
Ela encabula-se.
Quem manda
Moça Bonita
usar saia rodada
em dia de forte vento.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2007
Código do texto: T780396

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TRANSFORMAÇÃO

Vente,
meu vento,
vente forte
para que tudo mude.
A estação.
O amor.
A vida.
O meu sentimento,
o sentimento do outro.
Abale as minhas estruturas,
sacuda-me,
vire-me de cabeça pra baixo,
para que eu tome coragem
de modificar o estabelecido,
de me transformar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2007

Código do texto: T780393

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sábado, 15 de dezembro de 2007

UM VERSO

Quando a pena
busca uma palavra
garimpa-a até achá-la,
e quando
pensa que
com ela se depara
tenta incrustá-la
no texto em construção.

Às vezes,
o poema não aceita
a pedra garimpada.

O que fazer?

Lá vai,
de novo,
o poeta
procurar sua jóia,
sua pedra
e quando a encontra,
que felicidade,
coloca-a com a precisão
de um cirurgião
no seu poema,
na sua criação:
um verso.
Apenas, um
de tantos outros
que se criarão,
com a insistência,
a sabedoria
e a perspicácia do poeta.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779202

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SONS DO DIA

Com o dia a passar,
percebo
que os sons
se diferem
no seu decorrer.

Amanhecer:
crianças,
escola,
pessoas indo labutar.

Entardeceder:
crianças,
escola,
pipa,
bola,
pessoas a voltarem do trabalho,
dos seus compromissos.

Anoitecer:
conversas,
TV,
namoros,
silêncio.
Uns, ainda,
falam daqui
e outros de lá.

E chega a hora
de um silêncio predominar:
o dos amantes,
o do amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779192

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

ESTRANGEIRISMOS: FORA!

Estrangeirismos?
Fora!
Quero a brasilidade,
a força da nossa gente,
brotando a cada verso,
sendo retratada.
Quero Gregório de Matos
a enxovalhar os governantes da sua época.
Quero Gonçalves Dias
a lutar
pelos nossos guerreiros
da tribo Tupi.
Quero Aluísio de Azevedo
a mostrar
uma língua dissecada
dos cortiços cariocas.
Quero: Machado de Assis,
e seu nobre linguajar,
ao lado da sua dissimulada Capitu,
Jorge Amado
andando pelos sertões da Bahia,
a apontar o coronelismo
e a malemolência de Gabriela,
Graciliano Ramos
e a cachorrinha Baleia,
na seca nordestina,
em Vidas Secas,
Guimarães Rosa,
e o amor entre os jagunços
Riobaldo e Diadorim,
no interior do país,
e o resgate da linguagem
do homem desse lugar,
no Grande Sertão: Veredas,
Carlos Drumond de Andrade
e sua pedra “no meio do caminho”,
Cecília Meireles
e seu Romanceiro da Inconfidência,
Clarice Lispector
e sua prosa poética,
Rachel de Queiroz
com sua heroína
em seu Memorial de Maria Moura
e Mário de Andrade,
com seu Macunaíma
e o seu resgate da cultura brasileira.
Quero a Língua “Brasileira”
mostrando os heróis da nossa gente,
com todos os nossos trejeitos.
Sendo falada
e escrita por nós.
Vista como deve ser:
com Orgulho.
Só assim
se faz um grande nação:
com seu idioma,
sua cultura
e amor a ela.
Por isso,
falo em alto
e bom tom.
Estrangeirismos?
Fora!!!

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777684

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MULATA















Di Cavalcanti

Mulher com jasmim, óleo

http://www.sandraemarcio.com.br/assets/images/arte_19.jpg

Na cor,
no cheiro,
nas curvas,
no remelexo
da mulata
encontro
as palavras
pros meus versos.
Mulata:
fonte inesgotável
de inspiração.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777682

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CACHOEIRA















Título: Cachoeira Amorosa
Conceição de Macabu - RJ - Brasil

Ao caminhar
pelas matas
te encontrei
perdida,
arredia,
inconsolável.
Procuravas
pelo amor perdido
na força de tuas águas,
sob o teu branco véu.
Não tens como retornares
o tempo ao Passado.
É tua sina por esse amor,
que vive
aos teus pés a te clamar,
chorar, chorar, chorar...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007

Código do texto: T776043

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PERDIDO

Perdido.
No espaço.
Na terra.
No mar.

Perdido
na alucinação
do teu corpo,
que me clama,
que me arde,
que me arranha,
que não me deixa parar,
um só segundo,
de te amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007
Código do texto: T776041


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

LUNA














Título: Noite de Lua
http://fadalindinha.fateback.com/noite%20lua2.jpg

Misteriosa.
Amante.
Mutante.

Caliente.
Envolvente.
Mordaz.

Sombria.
Soturna.
Fugaz.

Brilhante.
Preciosa.
Uma Pérola.

Deusa
poderosa.
És tu
a mexer
conosco.
Simples Mortais.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

Código do texto: T774661

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AO OLHAR TEUS OLHOS

Ao olhar teus olhos,
vejo o tempo depressa a correr.
As marcas são visíveis,
claras.
Te carreguei no colo
e hoje ainda carrego.
És o meu menino,
meu moleque.
Um dia sentirei a tua falta.
Meu pensador.
Meu poeta.
meu Rimbaud.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

Código do texto: T774657

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A HORA DA ESTRELA *














Título: Estrela do Alinhamento
http://web.prover.com.br/nominato/images/A%20estrela%20do%20Alinhamento.jpg

A hora da estrela.
A hora de Clarice.
A hora de Macabéa
no Olimpo.
do delírio,
do sonho,
da fantasia.
Hora de contar as horas
com conta-gotas.
Hora com emergência.
Com muito luxo.
É hora precisa.
Hora do encanto.
Hora do desencanto.
Hora de dormir.
Hora do encontro.
Hora fatal.
Do início.
Do fim.


* Título retirado do romance de Clarice Lispector, publicado em 1977.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007
Código do texto: T773356

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TEZ

Macia.
Brilhante.
Afável.
Traduz
o infindável.
O que é ouro.
O que reluz.
O que é amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007

Código do texto: T773351

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

CAMAFEU













Título: Camafeu
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A luz da manhã
refletida
pelo camafeu
que encontrava-se
sobre o toucador
no quarto de dormir,
resvelou-me
lembranças adormecidas
ao observar
aquela senhora grisalha
que ainda ocupa o quarto
e agora
só vê o mundo
pela janela
e pelas venezianas.
Presencio
que o tempo passou,
mas sinto-o no passado,
numa dimensão
anterior a do presente,
ao da minha infância.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772424

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VENTO DO MAR















Título: Praia de Costazul
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Sol.
Mar.
Vento do mar.
Vento de partida.
Vento de chegança.
Vento do amor
que foi e regressou.
Vento do desamor
que partiu e não retornou.
Vento do mar.
Vento de lembranças.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772420

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