
Título: Recordações
http://geocities.yahoo.com.br/fdias03/recordacoes.htm
Ar
com cheiro
de recordação.
De quero mais
ou de não quero mais.
Música
a tocar bem distante.
Que me comove
ou não me comove.
Mas,
que me volta
ao antes,
ao antes
de tudo acontecer,
mudar,
de me levar
a conhecer
caminhos equivocados
ou não.
Tudo me retorna.
Ao antes,
do todo que acontece
entre eu e você.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 23/11/2007
Código do texto: T748779
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
ANTES DE TUDO ACONTECER
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
SEM MOTIVO

Título: Macro de um Lírio
http://www.flickr.com/photos/flaviocb/376979770/
Nativo
Nato
Inato
Assim és tu
Que plantaste
E não regaste
O de mais profundo
O de dentro
Só o machucaste.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2007
Código do texto: T747193
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DIA FELIZ

Título: Sol
http://astrosurf.com/carreira/images/sol/2002
Dia de se levantar.
Dia de sorrir.
Dia de brincar.
De se enfeitar.
De dançar.
De se abraçar,
se beijar.
O nasceu radiante
pedindo aos seus súditos
ao menos
uma destas oferendas
para o seu altar.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2007
Código do texto: T747196
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
HORA MARCADA

Título: Relógio
http://www.flickr.com/photos/12584880@N06/1307497935/
Hora marcada
pro princípio
meio
e fim da dor.
Dor que me consome.
Me desatina.
Abusa de mim.
Dor nas entranhas
como filho a nascer
num parto difícil.
Dor de dor.
Dor de corpo.
Dor de mim.
Dor de você.
Dor de amor.
Dor de te perder.
Dor de ter de me esquecer.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 21/11/2007
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NOITE DE CUVA

Título: Chuva mesmo
http://www.flickr.com/photos/ivasse/314571884/
Noite fria.
Chuvosa.
Insone.
Fico a janela
a observar a chuva a cair.
A ouvir os barulhos
de uma noite de tempestade.
Os animais encolhidos
a procurar abrigos,
As corujas que sempre me vêem
estão escondidas a me bisbilhotar.
Não se atrevem a me olhar.
Só os cachorros ao longe
fazem parte desta noite.
Fecho a janela.
Deito ao som do barulho
da chuva no telhado.
Que de repente me faz dormir.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 21/11/2007
Código do texto: T745695
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
CONSCIÊNCIA NEGRA

Título: Zumbi
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Sinhozinho
na Fazenda
ordena ao feitor:
nem que vosmicê
arranque o couro
dessa negrada,
tenho de embarcar
este café,
ao amanhecer.
Muitos desertaram
no caminho.
Não puderam
contar a história
dos oprimidos
daquele cafezal.
Outras vozes
não se calaram.
Se levantaram
a proclamar aos ventos
as atrocidades sofridas
pelo homem negro,
vindo da Mãe África.
Voz que não se calou.
Voz que não se cala.
Voz que não quer se calar.
Onde está o Sinhozinho?
Esta aí.
A pedir o seu voto,
em época de eleições.
Depois,
fica sentado,
ou a discutir irrelevâncias,
na Câmara,
no Senado,
no Palácio do Planalto
e a praticar o que chamam
de Democracia:
escravizar brancos, negros,
mulatos, indígenas...
com suas promessas não cumpridas,
suas dívidas não pagas,
com suas balas que nos matam
e proclamam de perdidas,
nos locais onde moramos,
na nossa casa,
onde vivem
os descendentes do passado,
tentando nos colocar no tronco,
nos açoitar.
Tentando nos ludibriar,
com estatísticas,
discursos,
com embromação.
Zumbi,
meu comandante,
meu guerreiro.
Volte
e leve todo o seu legado:
o povo brasileiro mazelado,
esculachado, deixado de lado
para Palmares.
Agora somos muitos.
Temos tecnologia.
Não deixaremos nenhum deles
próximo chegar.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2007
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IMENSIDÃO AZUL

Título: Pássaros ao contrário... migrando para
o Norte, para fugir do calor!!!
http://www.flickr.com/photos/atena/384009533/
Ao ver
o revoar
dos pássaros
sinto vontade de segui-los,
acompanhá-los.
Transmutar-me
e vivê-los
enfrentando os gozos
e as intempéries
dessa imensidão azul.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2007
Código do texto: T744425
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
NOITE CALMA

Título: Violência
http://gballone.sites.uol.com.br/temas/violen_inde.html
Noite calma,
serena,
com poucos barulhos
peculiares.
Olho pro relógio 19 horas.
Sinal da Escola.
Hora do Estudo.
Hora dos meninos
jogarem bola na Praça.
Hora das meninas
ficarem, namorarem, brincarem.
Ouve-se um estampido.
Mais um.
Outro.
Ouve-se o Silêncio
e agora a apreensão.
Um grito.
Um desespero.
Rebuliço na Praça.
Indignação.
Protesto.
Menino de 11 anos
morre com três tiros
na cabeça
disparados pela polícia.
Polícia???????
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 19/11/2007
Código do texto: T743023
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A MEIA LUZ

Título: Abajur
http://www.flickr.com/photos/aoshiz/162961010/
Noite a dentro
vou te vigiar.
Caminhar
sobre os teus passos
para as marcas deles apagar.
Quero-te incógnito.
Sem identidade.
Sem digitais.
Só assim,
te possuírei.
Às escuras.
Escondido.
Sem vigília.
Ao som de um bolero,
girando no toca-discos
Na penumbra da luz,
do abajur da paixão.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 19/11/2007
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domingo, 18 de novembro de 2007
REMÉDIO PRA SOLIDÃO

Título: Lover
http://meuanjobom.blogs.sapo.pt/
Sonos
Sonhos
Pesadelos
Que me povoam
Vivem em mim
Me angustiam
Me atordoam
Me deixam em convulsões.
Sonos
Sonhos
Pesadelos
Não mais me povoarão
Consegui remédio pra solidão
Vida a dois
Vida em mim.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2007
Código do texto: T742142
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QUERÊNCIA

Título: Pimenta na Janela
http://www.flickr.com/photos/thiagomartins/321546196/
Querência
de amor.
De beijos.
De suores.
De corpos ardentes,
calientes,
fumegantes,
em ponto de eclosão.
Querência
de desejos,
de apegos,
de amassos,
de corpos nus,
picantes,
flamejantes
de tesão.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 18/11/2007
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sábado, 17 de novembro de 2007
TEMPO DE MORANGOS
Título: Plantação de Morangos
http://www.flickr.com/photos/malrabaal/436763344/
Quero te encontrar
sob o alpendre
no meio
de um instante
que já vivemos antes.
Voltar o relógio,
enganar ao Deus Cronos
e ver se acertamos
os nossos ponteiros
que não estão
nos seus devidos lugares.
Enquanto isso
o sino da Igreja Matriz
tange o seu som
acordando os fiéis
para mais um ritual.
O ritual da fé.
O ritual da vida.
E, eu não posso esquecer.
É Tempo de Morangos.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2007
Código do texto: T740528
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PRIMEIRO ATO

Título: Cortina
http://www.phoenixdreams.blogger.com.br/
Sou assim.
Não vou mudar.
Nem que para isso
tenha de te perder.
Me basto.
Sou auto-suficiente.
Não preciso de ninguém.
As minhas certezas
são as corretas.
As minhas falas,
quando ditas,
são eloqüentes,
vibrantes, eficazes.
Meus sentimentos,
mais tórridos.
Sou mais eu.
Arrogante. Mesquinho.
Louco. Perdido.
Só.
Cada vez mais só.
Estou a acabar só.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2007
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
PARQUE DOS PÁSSAROS

Título: Parque dos Pássaros - Foz do Iguaçu - Brasil
http://www.flickr.com/photos/metalog/41136678/
Caminho apressadamente pelo
Parque dos Pássaros,
aturdido.
Correndo por uma trilha
que dizem
me levar a um lugar qualquer.
Só a Vegetação Nativa
e os Pássaros
acompanham
meu desnorteio.
Como que por encanto
ou pelo desígnio
da Rosas dos Ventos,
todos os Pássaros
começam a me guiar
a um devido lugar.
Lá,
encontro tudo.
Eu,
os Pássaros,
uma Mata Densa
para me esconder,
me abrigar,
até o momento exato
em que a Natureza,
tornar-me-á um Sacerdote,
concebido,
consagrado por este Altar.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2007
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BRISA
Sol ameno
Belo dia
Para mergulhar
No mar cristalino
No ar rarefeito
Nos braços seguros
De quem me enfeitiçar.
Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2007
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
REENCONTRO

Título: Segura mãe! Essa é sua!
http://www.flickr.com/photos/gabriel_jabur/146252823/
Vento frio.
Forte.
Chuva contínua.
Hoje, me trouxeram
à memória
minhas mães.
A dos Ventos,
minha guardiã.
A Avó,
meu anjo de guarda.
A do Peito,
de quem tenho andado afastado,
isolado.
Não por querência.
Mas por imposição
das situações,
das calamidades
que desabaram
sob nossas cabeças
e nos afetaram.
Nos afastamos,
ficamos quietos,
cada um no seu canto.
Feridos. Magoados.
Creio, que agora,
estejamos a nos reencontrar,
a reassumir nossos papéis,
mesmo, que seja,
a contra gosto de poucos.
Uma coisa é irreversível:
o amor que existe em nós.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 15/11/2007
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ABANDONO

Título: Infinito
http://wam.flyer.it/
Pensamento foge
Vai para não sei onde
Talvez abandone meu corpo
E vague. Vague pelo infinito.
À procura do teu.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 15/11/2007
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007
ANJO SAFADO

Título: Anjo
http://meuanjobom.blogs.sapo.pt/
Anjo Safado,
venhas pro meu leito,
brinques com os meus sonhos,
deixe-os todos desarrumados.
Mexas no meu corpo,
deixe-o arrepiado.
Contes-me segredos
para que não possa
a outros revelá-los.
Faças-me sentir leve,
sem contas a dever.
sem um nada a pagar,
sem um tanto a receber.
fiques comigo
na minha casa,
na minha cama,
bagunçes os meus lençóis,
novos, de chita,
feitos pro teu corpo.
Venhas enrubescer a minha face
e me fazer feliz.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007
Código do texto: T736771
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TEMPO DE ESTIO

Título: Estiagem
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Tempo do pouco.
Tempo do nada.
Tempo do sofrimento, da dor.
Tempo do faltar
o de comer nas panelas
das casas modestas
abandonadas ao Deus dará,
pelos terreiros batidos
desse meu país.
Quando será que a mediocridade que nos assola desde 1500 mudará esta realidade??????
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007
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SODOMIA

Título: Criança
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Nuvens.
Esparsas.
Carregadas.
Todas a rondarem
minha cabeça.
Pesadas. Densas.
Não se dissipam.
Não deixam o dia clarear.
Dia escuro.
Sombrio.
Como os que eu sentia
na minha Infância.
Ao ver o meu querer
sendo substituído
pelo meu não querer.
Não sendo respeitado.
Sendo maltratado.
Sodomizado.
E tinha de não falar.
O medo predominava.
Aterrorizava uma criança
que queria crescer como as outras.
Não pode.
Teve de viver na Esperança
de crescer
e de todos se vingar.
Todos que de uma forma
ou de outra
permitiram esse ultraje.
O crescimento custou,
demorou a chegar.
Quando chegou,
a minha criança morreu.
O tempo passou..
Décadas findaram.
As feridas continuam expostas.
As Vinganças,
o Tempo mesmo as realizou.
Só agora,
consigo fechar os olhos
e ficar algumas horas,
alguns dias,
sem pensar
nos Crimes que me cometeram.
Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007
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