quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

AO AMAR...

Ao lamber a cria,
a leoa o acaricia
dando-lhe o afeto
e as sensações necessárias
para o seu amadurecimento.

Ao amar um homem,
uma mulher
o lambe como cria,
torna-se sua dona,
procura afastá-lo
dos perigos que o rodeia,
dando-lhe o afeto
e o amor necessários
para que ele seguro
vá à caça,
conquistar mundos,
poder,
mostrar sua virilidade
amadurecida
e voltar correndo
aos braços da sua leoa.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/01/2008

Código do texto: T829383

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

PEDRAS NO CAMINHO

Pedras no caminho
encontrei-as,
em todas pisei,
passei sobre elas
com a elegância
de um cisne,
delicadamente,
com todo um rito
a respeitar.

Obstáculos na vida
com eles deparei-me.
Tentei esquivar-me.
Mas, vivenciei-os
como um bailarino
a dançar o último ato
da sua apresentação,
respeitando a todos
os Deuses do Teatro,
seguindo a todo um rito,
a todo um mistério
que só a vida compõe.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/01/2008

Código do texto: T827815

RODA MULATA

Roda menina.
Gira pião.
Roda mulata
faceira.
Dona
do meu coração.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/01/2008

Código do texto: T827810

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

NÃO ME MANDE FLORES















Título: Flores
http://www.komandokroketa.org/Pala-Ip/11_56_58_59_62_63_66flores.jpg

Não me mandes flores.
Se pensares,
jogue-as no lixo.
Ou guarde-as
para enganares
a outros
que caiam em tuas ciladas.
Não me mandes flores.
Inimigos são reservados.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/01/2008

Código do texto: T826569

CHUVA

Chova chuva,
chova,
chova depressa,
chova forte,
pro Sertão Nordestino
não morrer
sem água,
de sede.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/01/2008

Código do texto: T826564

domingo, 20 de janeiro de 2008

QUEM ÉS?

Quem és
para me lançar,
novamente,
um olhar?
Atualmente,
és nada.
És o tudo
que um dia
para mim
muito significou.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/01/2008

Código do texto: T824981

SEM VOCÊ

Meias palavras
é o que não vou
te dizer.
Vivo bem
sem tua presença,
sem teu cheiro,
sem teu hálito.
Vivo feliz.
Só.
Totalmente,
sem você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/01/2008

Código do texto: T824980

sábado, 19 de janeiro de 2008

ARCO-ÍRIS













Título: Arco-Íris
http://estaciondesbrujulario.blogia.com/upload/rainbow-light.jpg

Ao entardecer,
após uma tempestade,
na areia da praia,
a buscar
conchinhas
do mar,
encontrei
uma estrela-do-mar,
uma reluzente estrela,
diferente,
que me levou
através de um arco-íris
ao encontro de um amor
de quem havia me perdido no passado.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 19/01/2008

Código do texto: T823574

A TEU LADO

Viver a teu lado
é viver com o passado,
não com o presente,
este é colocado
pra escanteio,
renegado,
sonegado.
Viver a teu lado
é não me viver.
É morrer.
Morrer...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 19/01/2008

Código do texto: T823573

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

LÁGRIMA



















Título: Lágrima
Lágrima.
Sofrimento.
Ódio.
Desunião
Desamor.

Lágrima.
Alegria.
Felicidade.
Esperança.
Muito paz.
Muita amor.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/01/2008
Código do texto: T822099

VIDAS

Vidas amargas,
opostas,
vividas.

Vidas sofridas,
perdidas,
mal amadas.

Vidas não reveladas,
invadidas,
devassadas.

Vidas felizes,
realizadas,
amadas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/01/2008

Código do texto: T822098

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

REVELAÇÃO




















Título: Homem nu
http://www.angela.amorepaz.nom.br/Quadro_homem_nu_novo.jpg

Ao me revelar para você,
perdi a proteção
que me envolvia.
Fiquei nu.
Retirei minha fantasia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/01/2008
Código do texto: T820588

VENTOS

Ventos fracos.
Ventos fortes.
Ventanias.
Retirem
de minha mente
o que tirar
não consigo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/01/2008

Código do texto: T820586

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

VISTA D'OLHOS

Que vista
d’olhos
te dei
morenice
de beira-mar.
Vista d’olhos
profunda,
de águia
a perseguir
a tua presa,
certeira,
fatídica,
nem escapatória
tiveste.
Caíste
na rede jogada.
Agora,
é sentir
se o momento
inflama
e explode.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2008

Código do texto: T819218

FUJAS

Corras.
Corras muito.
Corras léguas.
Fujas de mim.
Do meu cheiro.
Da minha presença.
Da minha vida.
Não me rodeies.
Não me contornes.
Saias.
Sumas do mundo
que aponta pra mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2008

Código do texto: T819215

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

TERRA




















Título: Terra
Terra.
Chão.
Mãos.
Homem a ará-la,
a trabalhá-la,
a cultivá-la,
a fazê-la Mãe
ao nela frutos gerar.
Frutos bons,
maduros,
que alimentarão
os filhos desta Mãe.
Desta Terra.
Deste Chão.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/01/2008
Código do texto: T818398

NAS NUVENS

Vou me perder
em teus braços.
Em teu colo
me envolver
e esquecer
o mundo
que me rodeia
para nas nuvens
contigo viver.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/01/2008

Código do texto: T818394

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

ESCREVER












Título: Escrivaninha
Fotografia sem indicação de autoria

Mil faces
compõem o meu escrever.
A cada traço da pena,
uma vida encontrada.
Este é o meu papel de poeta.
Ser várias personas
sem me incomodar
qual delas irá me absorver,
irá me utilizar.
O mundo é pequeno.
O que vive n’alma,
no subconsciente
é profundo,
existe.
Ultrapassa teorizações.
Ultrapassa dimensões.
Escrito está nos pergaminhos,
há milênios.
É só entender.
É vivo.
É eterno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/01/2008

Código do texto: T816338

SONHOS

Sono.
Sonhos.
Vida etérea.
Vida viva.
Mágicas.
Feitiços.
Tudo
a se realizar.
Um balão
nos leva
pelos céus.
Um barco
nos transporta
pelos mares.
Sonhos.
Sonhados.
Nunca perdidos.
Sempre realizados.
Sonhos.
Sono.
Pena
ter acordado.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/01/2008

Código do texto: T816334

domingo, 13 de janeiro de 2008

ALÉM-MAR

Mar.
Águas profundas.
Grandes barcos.
Viagem.
Longa.
Pássaros.
Há dias não se vê.
Olhos aos céus.
À procura
de pelo menos um,
que nos possa orientar.
E sabermos
se estamos próximos
à terra firme
e com o coração
além-mar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2008

Código do texto: T814954

SUTIS DIFERENÇAS

Sutis diferenças
não me assemelham a ti.
Talvez a voz.
O andar.
O olhar.
Ou o fato
de sempre errar,
como todas as gentes
na tentativa de o erro acertar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2008

Código do texto: T814953

sábado, 12 de janeiro de 2008

LEÃO NO INVERNO













Título: Leão
http://www.bussolaescolar.com.br/animais/leao.jpg

Te amei
com forças tantas
que te gerei
no meu coração.

Numa torre,
longínqua,
abandonaste-me.
Deixaste-me só.
Conheci o sofrer.

Mesmo assim,
continuas nele a viver,
com toda a dor,
com todo o furor,
de um animal que a cria perde,
nele estás,
agasalhado,
do frio e da fome,
protegido sob o meu manto
o de um Leão no Inverno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/01/2008

Código do texto: T813715

AMOR DE VERÃO

Amor de verão,
amor gostoso,
brilhante,
bronzeado.
Amor descomplicado
a buscar a diversão,
os encontros,
os encantos do mar,
os encantos do sol
a iluminar corpos expostos,
na intenção deste amor encontrar.
Amor de verão,
passageiro,
marcante,
eterno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/01/2008

Código do texto: T813713

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

VIDA ENSOLARADA















Título: Sol
Nesta vida ensolarada,
a olhar o mar,
encontrei o viço,
o bronze,
o não lapidado,
à procura de um escultor.
Quiçá,
de um novo amor.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2008
Código do texto: T812389

ETERNO AMOR

Eterno.
Assim um dia
foi nosso amor.

Incerto.
Assim passou
por diversas fases
nosso amor.

Com atritos.
Assim viveu
por muito tempo
nosso amor.

Finito.
Custou,
mas , assim terminou
nosso eterno amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/01/2008

Código do texto: T812388

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CAIS

Perdi-me
no cais
a procura de você.

Agora,
vivo nas noites do cais,
amando um ou outro,
tanto faz.

Porém,
decidido está,
não quero a você
mais encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/01/2008

Código do texto: T811052

ASSIM

Simples
como o vento.
Claro
como a lua.
Assim,
sou eu
quando quero
me deixar
entrar na sua.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/01/2008

Código do texto: T811046

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

MULTICOLORIDA















Título: Bolas
http://www.bancoimagenes.com/cd683/cd683f005_a.jpg

Bolas.
Vermelhas.
Azuis.
Amarelas.
Coloridas.
Pra chutar.
Soltas no ar.
Lindas.
Brilhantes.
Verdes.
Grenás.
Bolas.
Muitas bolas.
Voltam-me
à minha infância.
Multicolorida.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/01/2008

Código do texto: T809625

TRISTEZA

Tristeza
em mim bateu
por não tê-la
a me rodear.

Tristeza
em mim bateu
quando você se foi
e esqueceu de voltar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/01/2008

Código do texto: T809623

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

TRÊS ESPINHOS

Três espinhos
me apontam
à tez.
Diáfanos.
Insistentes.
Persistentes.
Ruidosos.
Brilhosos.
Valorosos.
Espinhos de escribas.
Cravos na cruz.
Espinhos poéticos.
Poesias cibernéticas.
Soltas ao vento
como o ar a voar.
Três sinais.
Três encontros.
Três veios herméticos.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/01/2008

Código do texto: T808029

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

UM BONECO

A tua espera
não mais estou.
Esvaíste-me
do meu corpo
deixando-me
como, realmente, sou,
um boneco,
um palhaço
em tiras,
à procura
de quem me remende
e volte
a me fazer sorrir
sob a lona
da Loucura.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/01/2008

Código do texto: T808026

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

CRIANÇAS













Título: Crianças
http://www.uniredh.com.br/blog/file-757283.jpg

Pipas
soltas no ar.
Bolas
no chão a rolar.
Bonecas
pela calçada
a passear.
Barulho.
Muito barulho.
Férias!
Amarelinha.
Pique-esconde.
Queimado.
Mães atentas.
Cachorro-quente.
Pipoca.
Doces.
Um ritual
que se segue
até o sol se pôr.
Silêncio!
Crianças a dormir.
A sonhar
com um novo sol raiar
para tudo,
novamente,
recomeçar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/01/2008

Código do texto: T806546

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UM MINUTO

Me pediram
um minuto
de silêncio
para me falarem
a teu favor.

Neguei.

Por ti,
nem mais
um silêncio
ou um falar
de orador.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/01/2008

Código do texto: T806545

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domingo, 6 de janeiro de 2008

NUVENS















Título: Nuvens
http://www.inap.com.br/sitercaio/fotos/nuvens.jpg

Nuvens
que diversas
formas têm.
Todos os dias
se recrie
em novas formas,
como se estivesse a pintar
o céu
pra um
precioso bem.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/01/2008

Código do texto: T805263

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PENSAMENTO




















Título: Anjo
http://i31.photobucket.com/albums/c359/luluzinhatrue/anjo.jpg

Pensamentos soltos
que vêm
E que vão.
Pensamentos livres
que rédeas não possuem.
Pensamentos encantados
que brotam
em meu peito.
Enfeitice
este Anjo
que se esconde
dentro de mim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/01/2008

Código do texto: T805260

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sábado, 5 de janeiro de 2008

AMOR

Estou a buscar
algo indefinido,
que não sei o que é.
É misterioso.
Profundo.
Místico.
Ultrapassa
a compreensão.
É costumeiro.
Audaz.
Aventureiro.
Fere.
Deixa dor.
Nos faz dizer
o que não se diz.
Nos deixa aflitos,
sem rumo,
de quatro.
É o amor,
a acertar
outro alvo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/01/2008

Código do texto: T803591

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EXAUSTÃO

Cansei
de te carregar,
me pesas
as costas.
O fardo
é grande.
Pensei
que ia agüentar.
Mas, não.
É hora
de me libertar.
Quero ser feliz,
sei que é possível.
Nem que tenha de ir para outro lugar,
me mudar.
E, me reinventar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/01/2008

Código do texto: T803588

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

CHUVA QUE CAI













Título: Chuva
http://www.christiananswers.net/q-eden/rain.jpg

Chuva que cai forte
como um véu de noiva
que se deslocou das matas
lave-me
retire-me todos os ungüentos
limpe-me por fora
e por dentro
e torne-me de novo
feliz.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/01/2008

Código do texto: T802393

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PROMÍSCUO

Digo que te amo,
que te venero,
que só a ti quero.
Engano-te.
Amo
a outras e outros
em um eterno frenesi.
Só de ti fujo.
Só a ti não quero.
Desvio de comportamento,
de conduta?
Não.
Promíscuo
é o que sou, isto sim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/01/2008

Código do texto: T802392

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

CHAMADO

Vento
que sempre me chama,
que sempre me atrai.
Encontre
meus sentimentos
que por ora
vagam
à esfera da solidão.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/01/2008

Código do texto: T800971

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NOVO ENCONTRO

O que te direi?
Que nomes
tem darei?
Não sei.
Só sei,
que depois de anos,
de sumiço
te encontrei.
O que por ti sinto?
Não sei.
Talvez,
amizade?
Amor?
Ou um grande desprezo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/01/2008

Código do texto: T800967

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

RESGATE DO TEMPO













Título: Ampulheta
Quero buscar
o tempo perdido,
o que não volta,
o que já passou.
Como não me é possível,
resgatá-lo-ei
através do olhar,
a observar os resquícios
do passado ao meu redor
e dentro de mim.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/01/2008
Código do texto: T799732

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SONHO

No sonho
que tive
e que estava
presente
encontrei-a
com um vestido
preto,
saliente,
provocante,
que me levou
às nuvens
só de vê-la.
Acordei,
ainda tonto,
extasiado
e me deparo contigo
como havia sonhado.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/01/2008

Código do texto: T799729

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terça-feira, 1 de janeiro de 2008

TEMPO

RecadosAnimados.com

Título: Fogos

É disso
que o tempo
é feito,
de coloridas
explosões
de fogos
de artifício.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/01/2008

Código do texto: T798942

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SOMBRAS

Sombras.
Muitas sombras.
Lugar ermo.
Muito ermo.
Numa viela
da vida.
Te perdi
de mim.
Nunca mais
te encontrei.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/01/2008

Código do texto: T798939

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

PINGOS















Título: Chuva
http://minhavidaminhaalma.blogs.sapo.pt/arquivo/chuva-thumb.bmp

Pingos fracos
de chuva a caírem,
a molharem
meus cabelos,
meu rosto,
meu corpo.

Pingos fortes
de chuva a se derramarem
sobre mim,
sobre o pensamento
que vivia
naquele momento
em mim:
você

Pingos fortes
de chuva
lavaram meus pensamentos
e levaram você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/12/2007
Código do texto: T797819

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FUROR

Quando te perdi
no furor
de minha agonia.
Sofri.
Como sofri.
Agora,
quando tu me queres
de volta
perto de ti,
digo-te:
o meu furor
se aquietou,
minha agonia
fumaça virou,
o meu amor secou,
te esqueci.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/12/2007

Código do texto: T797818

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

domingo, 30 de dezembro de 2007

A SETE CHAVES














Titulo: Baú
http://www.petercafesport.com/loja/images/03-02-2006_17.05.46-x4323b.jpg

Através do olfato
encontrei
teu cheiro
perdido
entre os meus pertences,
num baú
com lembranças,
que julgava,
esquecidas
do meu passado,
fechado a sete chaves.
Não titubeei.
Queimei as lembranças.
Mas teu cheiro
impregnou
minh’alma.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/12/2007

Código do texto: T796835

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas

LINHAS CURVAS

Pelas
linhas sinuosas
do tempo,
reencontrei você.
Tive medo.
Me assustei.
Fugi.
Sentei-me
a mesa
de um bar.
Numa
só dose de vodca,
o passado findou.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/12/2007

Código do texto: T796834

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sábado, 29 de dezembro de 2007

PASSAGEM DO TEMPO











Título: Telefone
http://www.bbsoptions.com.br/icones/telefone5.gif

O telefone toca.
É você,
novamente,
a me incomodar.
Terminou.
O tempo passou.
E não quer voltar atrás.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/12/2007

Código do texto: T795791

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BOM CONSELHO

Busque-o.
Traga-o
de volta.
Faça
para ele
o que você nunca fez:
ame-o.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/12/2007

Código do texto: T795788

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

VISÃO

A luz
dos teus olhos
nunca
havia me amado
como ontem
me amei
sobre
o teu corpo
e
sobre
a luz da lua.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/12/2007

Código do texto: T794480

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FINITA

Vejo
o sol cair.
O dia se pôr.
Vejo a alma
finda.
E penso
se está inacabada,
faltando um milímetro,
qualquer,
para se completar.
Não.
Está finita.
Está pronta.
É hora de ir.
Alçar novos anseios.
E a outros mundos conhecer.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/12/2007

Código do texto: T794479

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

ESPETÁCULO DA NATUREZA














Título: Beija-flor
Ao andar
pelo jardim
vi
um beija-flor
a beijar
uma bela flor.
Eu não sabia
se parava
ou corria.
Com receio
de estragar
um espetáculo
da natureza.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/12/2007
Código do texto: T793308

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SALTO

Solto.
Livre no ar.
Feito
balão a gás
a voar.

Pensamento
voe.
voe,
voe longe.
Vá ao encontro
do amor
que de mim
se perdeu
num desencontro da vida.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/12/2007

Código do texto: T793307

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

HOJE











Título: Sol
http://www.lacoctelera.com/myfiles/miquelturo/el_sol_que_ciega_1024x768.jpg

Hoje
renasço
das cinzas,
como a Fênix
ressurgida
da Grécia antiga.

Hoje
o sol
me traz
um brilho a mais,
reluzente,
faiscante,
buscado na chama
do seu esplendor
como uma forma
de me presentear.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 26/12/2007
Código do texto: T792143

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AO ME DESNUDAR

















Título: Espelho
http://www.masottipoa.com.br/antigo/imagens/complementos/1751-1pop.jpg

Ao me desnudar
em frente
ao espelho,
deparei-me
com o tempo
a corroer
minha imagem,
deixando-a
mais envelhecida,
maculada.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 26/12/2007
Código do texto: T792142

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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

PELA METADE

Há a vida,
Há o existir.
Há o amor.
Não há você.
Estou pela metade.
Incompleto.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 25/12/2007

Código do texto: T791193

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CONQUISTA

Deixar de te amar
foi uma conquista
árdua,
doida,
sofrida,
mas foi.

Que bom acordar
e não te ver
povoando
o meu espaço,
o meu corpo
e o meu lembrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 25/12/2007

Código do texto: T791192

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

FELICIDADE

Felicidade senti
quando os vi retornarem.
Entrarem portões a dentro
e eu correndo como criança
para ir abraçá-los.
Que felicidade
é vê-los
na intensidade
que cada um
tem para me amar.
Vitória nossa.
Vitória do amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 24/12/2007

Código do texto: T790301

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SOL A PINO














Título: Sol
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Com o sol
a arder
sobre os meus ombros,
te vi passar.
Primeiro,
pensei que fosse uma miragem.
Depois,
acreditei no que estava a ver, a sentir.
Não titubeei.
E sem pensar
e mensurar
passei a te amar
a partir daquele instante.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 24/12/2007

Código do texto: T790300

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domingo, 23 de dezembro de 2007

VERDES
















Título: Mata Atlântica - Espírito Santo - Brasil
http://www.folhadonorte.com.br/site/fotos/200604241617590.mata.jpg

Verde.
Muitos verdes.
Verdes
de todos os tons.
Olho d’água
a brotar.
Veio d’água
a jorrar.
Homem a destruir.
Homem a desmatar.
Esta beleza está a acabar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/12/2007
Código do texto: T789207

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MUSA












Título: O Poeta e a Musa
http://www.scultura-italiana.com/Galleria_estero/Rodin%20Auguste/imagepages/image10.html

Não há amor
mais lindo,
com certeza,
não há
do que
o que existe
entre o Poeta
e a Musa,
a Realidade
e a Beleza,
alimentado
pela Fonte da Inspiração,
que brota
na morada dos Deuses,
que do Olimpo
a tudo vigiam.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 23/12/2007

Código do texto: T789205

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sábado, 22 de dezembro de 2007

MÁGOA

Mágoa
é uma chaga
que te dói,
que te machuca,
que te corrói,
lentamente,
diuturnamente,
as vísceras,
o teu ser.
É doença maligna.
É ferida que não fecha.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/12/2007

Código do texto: T788142

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LEMBRANÇAS

Na encruzilhada
dos meus pensamentos,
encontrei
com minhas longínqüas lembranças,
guardadas.
Uma delas,
foi você,
que passou
como um cometa
por minha vida
e continua a viver,
a pulsar
em mim...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 22/12/2007

Código do texto: T788140

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

UM SOPRO DE VIDA*

O que em mim vive.
O que me move.
O que me faz pensar,
amar.
Ser gente.
Com delírios.
Com desejos.
Com anseios.
Com o coração
a latejar seu sangue
e a percorrer todo o meu corpo.
Um sopro
não experimentado por outro.
Um sopro único.
Que pulsa,
pulsa,
pulsa
dentro de mim.
Um sopro Divino.
Um sopro que os Deuses
me deram
na hora da minha criação.
Um sopro vital.
Um sopro de vida.
O sopro final.

* Título retirado de um romance de Clarice Lispector, publicado em 1978.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/12/2007

Código do texto: T786844

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MENINO












Título: Menino e Menina
http://blogamizade.blogs.sapo.pt/arquivo/menino%20e%20menina.jpg

Menino.
Viva.
Brinque.
Corra.
Solte pipa.
Jogue bola.
Sejas menino
o quanto puderes.
A vida cresce
te transformas
numa fração
de segundo.
Sem perguntar a ti
se desejas,
se queres.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/12/2007

Código do texto: T786842

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HORA MARCADA














Título: Relógio
http://www.tecnosino.com/img/relogio.jpg

Hora de sempre
achar que tudo é possível.
Tudo é igual,
do mesmo modo.
Não muda.

Hora de tomar vergonha
e ver que as pessoas
se transmutam
e não são mais as mesmas.
E a hora mudou
não é mais a mesma.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 21/12/2007

Código do texto: T786841

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

SERPENTE














Título: Serpente
http://www.integratori-alimentari.net/sfondi%20cellulare/UR%20serpente.jpg

Estou a vigiar
o bote
da serpente.
Ela está a me rodear,
a querer de mim mangar,
a tentar me mordicar.
Só,
que sou mais arisco
e essa serpente
a tocaiarei
e a levarei
pra outros rumos,
bem distantes dos meus.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/12/2007

Código do texto: T785631

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TEMPO DE CHUVA














Título: Cachoeira
Tempo de chuva.
Não de estio.
Tempo de regar
a terra sedenta
faminta por água
pra sobreviver.

Tempo de chuva.
Tempo dos rios
sentirem o acalanto
que brota dos céus,
para recuperarem
e escassez da água cristalina
e o veio d’água voltar a germinar.

Tempo de chuva.
Tempo de vida.
Tempo fértil.
Tempo do amor.
Tempo do viver.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/12/2007
Código do texto: T785622

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DE TI, ME PERDI

Não sei o por quê,
a partir de meio do caminho
me perdi de ti.
Os nós desataram-se.
Tudo tornou-se
ínfimo, pequeno,
sem valor.
Percebi
que não mais te quero.
O que me fazes sentir não é bom.
Dói.
Magoa.
Machuca.
Humilha.
Não há culpas.

Ou há?

Não sei o por quê,
me perdi,
totalmente,
de ti.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 20/12/2007

Código do texto: T785628

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

OXUM
















Título: Oxum
http://yle.iya.nom.br/yleiya/figuras/imDesIII/images/oxum.jpg

És pura.
Cristalina.
Água da fonte.
És simples.
Deusa.
Inspiração
para um poeta.
Vives
pelas Cachoeiras
a cantar,
a se banhar.
És minha.
És tua.
És Divina.
És Oxum.
És Rainha.
És Mulher.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/12/2007
Código do texto: T783467

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SILÊNCIO













Título: Pantanal
http://pessoal.onda.com.br/charlesb/fotoarte/pant002/pant0017

O céu nublado.
O tempo frio.
Os reflexos da chuva
da noite.
Tudo em silêncio.
Parece
que todos se esconderam.
Nem os pássaros
querem comigo falar.
Todos se aninharam.
Só eu estou
à procura de um ninho
para me aconchegar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 18/12/2007

Código do texto: T783464

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

VESTÍGIOS













Título: Rosa Amarela
http://semprepoesias.com.br/06arneyde.marcheschi/09b.jpg

Lençóis amassados
Roupas pelo chão
Corpos delicados
Nus
Deitados
Entrelaçados
Fatigados
Vestígios da noite.
Vestígios do amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2007

Código do texto: T782097

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ANSIEDADE

O telefone não toca.
A campainha
continua muda.
Estou a esperar
para a conversa
que teríamos de ter
há anos.
Não tivemos.
Adiamos.
Adiamos.
Crise sobre crise.
O caminho, sempre,
contornado,
nunca acertado,
discutido,
verbalizado.
A campainha
dá o sinal.
Abro a porta.
É você.
E sem nada dizermos,
entreolhamo-nos,
com olhos marejados d’água.
E sem uma palavra ser dita,
resolvemos
que aquela é a hora
do nosso tudo findar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2007

Código do texto: T782096

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domingo, 16 de dezembro de 2007

MOÇA BONITA











Título: Marylin Monroe
O vento
remexe na saia rodada
da Moça Bonita.
Levanta-a.
Todos, admirados, olham
para o belo contorno do seu corpo.
Ela encabula-se.
Quem manda
Moça Bonita
usar saia rodada
em dia de forte vento.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2007
Código do texto: T780396

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TRANSFORMAÇÃO

Vente,
meu vento,
vente forte
para que tudo mude.
A estação.
O amor.
A vida.
O meu sentimento,
o sentimento do outro.
Abale as minhas estruturas,
sacuda-me,
vire-me de cabeça pra baixo,
para que eu tome coragem
de modificar o estabelecido,
de me transformar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2007

Código do texto: T780393

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sábado, 15 de dezembro de 2007

UM VERSO

Quando a pena
busca uma palavra
garimpa-a até achá-la,
e quando
pensa que
com ela se depara
tenta incrustá-la
no texto em construção.

Às vezes,
o poema não aceita
a pedra garimpada.

O que fazer?

Lá vai,
de novo,
o poeta
procurar sua jóia,
sua pedra
e quando a encontra,
que felicidade,
coloca-a com a precisão
de um cirurgião
no seu poema,
na sua criação:
um verso.
Apenas, um
de tantos outros
que se criarão,
com a insistência,
a sabedoria
e a perspicácia do poeta.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779202

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SONS DO DIA

Com o dia a passar,
percebo
que os sons
se diferem
no seu decorrer.

Amanhecer:
crianças,
escola,
pessoas indo labutar.

Entardeceder:
crianças,
escola,
pipa,
bola,
pessoas a voltarem do trabalho,
dos seus compromissos.

Anoitecer:
conversas,
TV,
namoros,
silêncio.
Uns, ainda,
falam daqui
e outros de lá.

E chega a hora
de um silêncio predominar:
o dos amantes,
o do amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779192

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

ESTRANGEIRISMOS: FORA!

Estrangeirismos?
Fora!
Quero a brasilidade,
a força da nossa gente,
brotando a cada verso,
sendo retratada.
Quero Gregório de Matos
a enxovalhar os governantes da sua época.
Quero Gonçalves Dias
a lutar
pelos nossos guerreiros
da tribo Tupi.
Quero Aluísio de Azevedo
a mostrar
uma língua dissecada
dos cortiços cariocas.
Quero: Machado de Assis,
e seu nobre linguajar,
ao lado da sua dissimulada Capitu,
Jorge Amado
andando pelos sertões da Bahia,
a apontar o coronelismo
e a malemolência de Gabriela,
Graciliano Ramos
e a cachorrinha Baleia,
na seca nordestina,
em Vidas Secas,
Guimarães Rosa,
e o amor entre os jagunços
Riobaldo e Diadorim,
no interior do país,
e o resgate da linguagem
do homem desse lugar,
no Grande Sertão: Veredas,
Carlos Drumond de Andrade
e sua pedra “no meio do caminho”,
Cecília Meireles
e seu Romanceiro da Inconfidência,
Clarice Lispector
e sua prosa poética,
Rachel de Queiroz
com sua heroína
em seu Memorial de Maria Moura
e Mário de Andrade,
com seu Macunaíma
e o seu resgate da cultura brasileira.
Quero a Língua “Brasileira”
mostrando os heróis da nossa gente,
com todos os nossos trejeitos.
Sendo falada
e escrita por nós.
Vista como deve ser:
com Orgulho.
Só assim
se faz um grande nação:
com seu idioma,
sua cultura
e amor a ela.
Por isso,
falo em alto
e bom tom.
Estrangeirismos?
Fora!!!

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777684

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MULATA















Di Cavalcanti

Mulher com jasmim, óleo

http://www.sandraemarcio.com.br/assets/images/arte_19.jpg

Na cor,
no cheiro,
nas curvas,
no remelexo
da mulata
encontro
as palavras
pros meus versos.
Mulata:
fonte inesgotável
de inspiração.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777682

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CACHOEIRA















Título: Cachoeira Amorosa
Conceição de Macabu - RJ - Brasil

Ao caminhar
pelas matas
te encontrei
perdida,
arredia,
inconsolável.
Procuravas
pelo amor perdido
na força de tuas águas,
sob o teu branco véu.
Não tens como retornares
o tempo ao Passado.
É tua sina por esse amor,
que vive
aos teus pés a te clamar,
chorar, chorar, chorar...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007

Código do texto: T776043

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PERDIDO

Perdido.
No espaço.
Na terra.
No mar.

Perdido
na alucinação
do teu corpo,
que me clama,
que me arde,
que me arranha,
que não me deixa parar,
um só segundo,
de te amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007
Código do texto: T776041


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

LUNA














Título: Noite de Lua
http://fadalindinha.fateback.com/noite%20lua2.jpg

Misteriosa.
Amante.
Mutante.

Caliente.
Envolvente.
Mordaz.

Sombria.
Soturna.
Fugaz.

Brilhante.
Preciosa.
Uma Pérola.

Deusa
poderosa.
És tu
a mexer
conosco.
Simples Mortais.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

Código do texto: T774661

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AO OLHAR TEUS OLHOS

Ao olhar teus olhos,
vejo o tempo depressa a correr.
As marcas são visíveis,
claras.
Te carreguei no colo
e hoje ainda carrego.
És o meu menino,
meu moleque.
Um dia sentirei a tua falta.
Meu pensador.
Meu poeta.
meu Rimbaud.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A HORA DA ESTRELA *














Título: Estrela do Alinhamento
http://web.prover.com.br/nominato/images/A%20estrela%20do%20Alinhamento.jpg

A hora da estrela.
A hora de Clarice.
A hora de Macabéa
no Olimpo.
do delírio,
do sonho,
da fantasia.
Hora de contar as horas
com conta-gotas.
Hora com emergência.
Com muito luxo.
É hora precisa.
Hora do encanto.
Hora do desencanto.
Hora de dormir.
Hora do encontro.
Hora fatal.
Do início.
Do fim.


* Título retirado do romance de Clarice Lispector, publicado em 1977.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007
Código do texto: T773356

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TEZ

Macia.
Brilhante.
Afável.
Traduz
o infindável.
O que é ouro.
O que reluz.
O que é amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007

Código do texto: T773351

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

CAMAFEU













Título: Camafeu
http://www.pietranobile.com.br/loja/Imagens/Picexcl.jpg

A luz da manhã
refletida
pelo camafeu
que encontrava-se
sobre o toucador
no quarto de dormir,
resvelou-me
lembranças adormecidas
ao observar
aquela senhora grisalha
que ainda ocupa o quarto
e agora
só vê o mundo
pela janela
e pelas venezianas.
Presencio
que o tempo passou,
mas sinto-o no passado,
numa dimensão
anterior a do presente,
ao da minha infância.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772424

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VENTO DO MAR















Título: Praia de Costazul
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Sol.
Mar.
Vento do mar.
Vento de partida.
Vento de chegança.
Vento do amor
que foi e regressou.
Vento do desamor
que partiu e não retornou.
Vento do mar.
Vento de lembranças.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772420

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