sábado, 15 de dezembro de 2007

UM VERSO

Quando a pena
busca uma palavra
garimpa-a até achá-la,
e quando
pensa que
com ela se depara
tenta incrustá-la
no texto em construção.

Às vezes,
o poema não aceita
a pedra garimpada.

O que fazer?

Lá vai,
de novo,
o poeta
procurar sua jóia,
sua pedra
e quando a encontra,
que felicidade,
coloca-a com a precisão
de um cirurgião
no seu poema,
na sua criação:
um verso.
Apenas, um
de tantos outros
que se criarão,
com a insistência,
a sabedoria
e a perspicácia do poeta.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779202

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SONS DO DIA

Com o dia a passar,
percebo
que os sons
se diferem
no seu decorrer.

Amanhecer:
crianças,
escola,
pessoas indo labutar.

Entardeceder:
crianças,
escola,
pipa,
bola,
pessoas a voltarem do trabalho,
dos seus compromissos.

Anoitecer:
conversas,
TV,
namoros,
silêncio.
Uns, ainda,
falam daqui
e outros de lá.

E chega a hora
de um silêncio predominar:
o dos amantes,
o do amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 15/12/2007

Código do texto: T779192

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

ESTRANGEIRISMOS: FORA!

Estrangeirismos?
Fora!
Quero a brasilidade,
a força da nossa gente,
brotando a cada verso,
sendo retratada.
Quero Gregório de Matos
a enxovalhar os governantes da sua época.
Quero Gonçalves Dias
a lutar
pelos nossos guerreiros
da tribo Tupi.
Quero Aluísio de Azevedo
a mostrar
uma língua dissecada
dos cortiços cariocas.
Quero: Machado de Assis,
e seu nobre linguajar,
ao lado da sua dissimulada Capitu,
Jorge Amado
andando pelos sertões da Bahia,
a apontar o coronelismo
e a malemolência de Gabriela,
Graciliano Ramos
e a cachorrinha Baleia,
na seca nordestina,
em Vidas Secas,
Guimarães Rosa,
e o amor entre os jagunços
Riobaldo e Diadorim,
no interior do país,
e o resgate da linguagem
do homem desse lugar,
no Grande Sertão: Veredas,
Carlos Drumond de Andrade
e sua pedra “no meio do caminho”,
Cecília Meireles
e seu Romanceiro da Inconfidência,
Clarice Lispector
e sua prosa poética,
Rachel de Queiroz
com sua heroína
em seu Memorial de Maria Moura
e Mário de Andrade,
com seu Macunaíma
e o seu resgate da cultura brasileira.
Quero a Língua “Brasileira”
mostrando os heróis da nossa gente,
com todos os nossos trejeitos.
Sendo falada
e escrita por nós.
Vista como deve ser:
com Orgulho.
Só assim
se faz um grande nação:
com seu idioma,
sua cultura
e amor a ela.
Por isso,
falo em alto
e bom tom.
Estrangeirismos?
Fora!!!

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777684

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MULATA















Di Cavalcanti

Mulher com jasmim, óleo

http://www.sandraemarcio.com.br/assets/images/arte_19.jpg

Na cor,
no cheiro,
nas curvas,
no remelexo
da mulata
encontro
as palavras
pros meus versos.
Mulata:
fonte inesgotável
de inspiração.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2007

Código do texto: T777682

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CACHOEIRA















Título: Cachoeira Amorosa
Conceição de Macabu - RJ - Brasil

Ao caminhar
pelas matas
te encontrei
perdida,
arredia,
inconsolável.
Procuravas
pelo amor perdido
na força de tuas águas,
sob o teu branco véu.
Não tens como retornares
o tempo ao Passado.
É tua sina por esse amor,
que vive
aos teus pés a te clamar,
chorar, chorar, chorar...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007

Código do texto: T776043

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PERDIDO

Perdido.
No espaço.
Na terra.
No mar.

Perdido
na alucinação
do teu corpo,
que me clama,
que me arde,
que me arranha,
que não me deixa parar,
um só segundo,
de te amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007
Código do texto: T776041


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

LUNA














Título: Noite de Lua
http://fadalindinha.fateback.com/noite%20lua2.jpg

Misteriosa.
Amante.
Mutante.

Caliente.
Envolvente.
Mordaz.

Sombria.
Soturna.
Fugaz.

Brilhante.
Preciosa.
Uma Pérola.

Deusa
poderosa.
És tu
a mexer
conosco.
Simples Mortais.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

Código do texto: T774661

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AO OLHAR TEUS OLHOS

Ao olhar teus olhos,
vejo o tempo depressa a correr.
As marcas são visíveis,
claras.
Te carreguei no colo
e hoje ainda carrego.
És o meu menino,
meu moleque.
Um dia sentirei a tua falta.
Meu pensador.
Meu poeta.
meu Rimbaud.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007

Código do texto: T774657

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A HORA DA ESTRELA *














Título: Estrela do Alinhamento
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A hora da estrela.
A hora de Clarice.
A hora de Macabéa
no Olimpo.
do delírio,
do sonho,
da fantasia.
Hora de contar as horas
com conta-gotas.
Hora com emergência.
Com muito luxo.
É hora precisa.
Hora do encanto.
Hora do desencanto.
Hora de dormir.
Hora do encontro.
Hora fatal.
Do início.
Do fim.


* Título retirado do romance de Clarice Lispector, publicado em 1977.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007
Código do texto: T773356

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TEZ

Macia.
Brilhante.
Afável.
Traduz
o infindável.
O que é ouro.
O que reluz.
O que é amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 11/12/2007

Código do texto: T773351

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

CAMAFEU













Título: Camafeu
http://www.pietranobile.com.br/loja/Imagens/Picexcl.jpg

A luz da manhã
refletida
pelo camafeu
que encontrava-se
sobre o toucador
no quarto de dormir,
resvelou-me
lembranças adormecidas
ao observar
aquela senhora grisalha
que ainda ocupa o quarto
e agora
só vê o mundo
pela janela
e pelas venezianas.
Presencio
que o tempo passou,
mas sinto-o no passado,
numa dimensão
anterior a do presente,
ao da minha infância.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772424

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VENTO DO MAR















Título: Praia de Costazul
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Sol.
Mar.
Vento do mar.
Vento de partida.
Vento de chegança.
Vento do amor
que foi e regressou.
Vento do desamor
que partiu e não retornou.
Vento do mar.
Vento de lembranças.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2007

Código do texto: T772420

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domingo, 9 de dezembro de 2007

A ARTE DA PALAVRA

"A arte, no momento atual, é a única arma capaz de modificar as realidades circundantes. Com sua matéria prima de expressão, a arte da palavra vai além: grita, chora, dissimula, convence, luta, briga, apazigua. Cria imagens. Imita a vida: é a vida."

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 10/10/2007
Código do texto: T688253

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VIDA?...













Título: Fome
http://www.voltairenet.org/IMG/jpg/fome_zero-copia.jpg

A vida existe,
estou a senti-la
no ar que respiro.
Estou a vê-la
brotar
ao meu lado
nas árvores
e uma gama de cores
e nos rebentos que surgem
aqui, acolá.

A vida parece não existir
quando penso nos homens
que produzem
o que vejo:
a fome,
nos vazios pratos
de quem ainda não conseguiu
ter forças pra falar
e o de comer.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/12/2007
Código do texto: T770819

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OUTONO















Título: Outono
http://www.umacoisaeoutra.com.br/cinema/IMAGES/outono.jpg

Vi pétalas.
Pétalas de flores,
Vi folhas.
Folhas de árvores
de cores várias.
Quedadas ao chão
a formar um tapete
que me fez recordar
um amor menino ,
que deslizou em outros tapetes
tecidos pela natureza.
Para dilacerar meu coração
que solitário ficou,
restou a lembrança
deste outro outono
em que juntos estávamos
a caminhar
sobre as folhas e as pétalas no chão.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 09/12/2007

Código do texto: T770822

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sábado, 8 de dezembro de 2007

BEIRA-MAR















Título: Praia das Areias Negras
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Sento-me
A beira do mar.
Observo
o fluxo
e o refluxo
da água
em contato
com a areia.

Vejo
a imensidão
do mar
e me imagino
antes de 1.500
criando instrumentos
que me levassem
a algum lugar
através dessa imensidão.

Olho as gaivotas
como são belas
admiro-as
ainda mais quando estão a planar.

Começo a escrever
na areia
como fazem
todos os apaixonados
que se sentam
a beira-mar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/12/2007

Código do texto: T769512

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SERÁ ISTO VIDA?

Entre um
e outro
existe
a mediocridade,
a ausência,
a falta
de caráter,
de pudor,
de amor,
de limites.
Nasceram assim,
nunca mudaram.
Acredito
que continuarão
assim a viver.

Será isto vida?

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 08/12/2007

Código do texto: T769509

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

AO OUVIR











Título: Raio
http://www.plasma.inpe.br/LAP_Portal/LAP_Sitio/Figuras/Raio.jpg

Ao ouvir
o ressoar dos raios,
lembro-me das vidas
que brotarão
depois de banhadas
pelas águas
vindas com o seu clarão.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/12/2007

Código do texto: T768162

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PÉROLAS














Título: Pérola
http://crisflora.blogs.sapo.pt/arquivo/olhar.bmp

No lume
Dos teus olhos
Identifiquei
Duas Pérolas
A serem lapidadas
Por um exímio ourives
Ou por um escroque.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 07/12/2007

Código do texto: T768164

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

ÊXTASE

O soar da tua voz
Me embriaga
Me leva a um Delírio
A uma Loucura
A um Êxtase
A algo diferenciado
Desconhecido
Intocado
Promíscuo
Mas Lindo !!!

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2007
Código do texto: T767256

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