segunda-feira, 5 de novembro de 2007

LINHA TÊNUE




















Título: Trapezista
Tempo.
Abafado.
Sem chuva.
Sem vento.

Eu.
Sem prumo.
Sem rumo.
Agoniado.
Após cruzar
a linha tênue
entre o agora
e o que se tentou
deixar para trás,
não se conseguiu,
fcou,
continua no hoje,
no agora,
no sempre.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007
Código do texto: T724530

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MEDUSA















Título: Medusa
http://desktopreflections.com/previews/medusa.html

Olhos. Olhos. Olhos.

Olhos vivos.
Olhos abertos.
Obscenos.
Devassadores.
Olhos observadores.
Olhos disléxicos.
Todos
a te olharem.
A te observarem.
A te encurralarem.
A buscarem
o teu olhar.
Tentando nele
se fixarem.
Para te paralisarem.
Transformarem-te numa Estátua.
Que não sofre.
Não se dói.
Não sente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2007

Código do texto: T724527

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domingo, 4 de novembro de 2007

TUDO




















Título: Coração na praia
http://bloguiando.blogs.sapo.pt/

Nada a dizer.
Nada a declarar.
Tudo a sentir.
Tudo a rebuliçar.
Revolver
por dentro.
Querendo sair.
Querendo romper
e fazer brotar
o mais forte sentimento:
o de Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722837

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FANTASMAS














Título: Fantasma

Fotografia cedida por Eduardo Moura

Fantasmas
vieram me visitar.
Todos.
Vieram me povoar.
Sonos.
Sonhos.
Pensamentos.
Todos se aportaram
para me atormentar.
Fantasmas
que julgava mortos.
No passado.
No futuro.
No presente.
Aqui estão
a me assombrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2007

Código do texto: T722834

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sábado, 3 de novembro de 2007

FLORES



Título: Quaresma
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Flores mil.
Verdes.
Azuis.
Vermelhas.
Brancas.
Amarelas.
Cor de anil.
Flores vivas.
Cheias de vida.
Repletas de cheiros.
Venham embelezar Afrodite
com uma grinalda,
tecida pelos beija-flores,
com hera e tons variados.
Multicores.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007
Código do texto: T721600

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ENTARDECER



Titulo: Pôr-do-Sol

Praia do Centro - Rio das Ostras - RJ - Brasil

Fotografia cedida por Eduardo Antônio de Moura

Sinto o entardecer
cair lentamente
diante dos meus olhos.
Mágico. Surpreendente.
Um espetáculo.
De Deuses.
De Orixás.
Reverenciado
por uma platéia
comovida.
Entardecer
que acontece todos os dias.
Mas,
o de hoje,
não é igual,
é singular.
É meu.
É nosso.
Se diferencia.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2007

Código do texto: T721601

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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SIMPLES














Fotografia: Simples

http://www.flickr.com/photos/giselle/1138831649/


Puro.
Como o olho d’água a terra perfurar.
Como os pássaros ao vento se deixarem levar.
Como o encontro do mar com o rio num contínuo acasalar.
Como a mãe em seus braços a embalar..
Árvores.
Céus.
Sol.
Chuva.
Correria.
Trem.
Praça.
Brinquedo.
Febre.
Criança.
Vó.
Se foi.
Puro.
Puro.
Simples assim.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2007

Código do texto: T677006

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LÁGRIMAS




















Título: Pietá
Autor: Michelangelo

http://www.samford.edu/~tsmcginn/bp/Christ_art.html


Gota.
Gotícula.
De suor.
De chuva.
De sangue.

Gota
derramada dos olhos
de um menino
ao perder-se
para o Mundo
pelas mãos de uma vida a margem.

Gotas
gotículas
de sangue
derramadas
pelos olhos e pelo coração
de uma mulher.

Uma desesperada Mãe
inconsolada.

Lágrimas. Lágrimas.
Puras. Cristalinas.

Lágrimas. Lágrimas.
De indignação. De dor.
De perda. De pavor.
De amor.

Lágrimas. Lágrimas.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720133

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INCONSTÂNCIA




















Obra: Inconstância
Autor: Goitto di Bondone

http://www.artehistoria.com/genios/cuadros/15317.htm


A tua instabilidade
me corrói
expõe minhas vísceras
me faz hibernar
colocar num buraco a cabeça
como um avestruz
para me esconder
não te ver
não te encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007

Código do texto: T720132

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

VENTO













Título: Ventania

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/ambientehome.htm


Voar. Voar.

Voe vento
Voe devagar
Sopre no meu rosto
Faça-me um carinho
Chegue mais perto
Bem de mansinho
Sussure ao meu ouvido
Devagarzinho
Baixinho
Em silêncio
Em segredo
Em segredo só nosso
Diga-me quando
O meu Cheiro
O meu Dengo voltará.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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PRISÃO















Fotografia: Prisão de Goiás Velho


Pensamentos.
Insones.
Despertos.
Amordaçados.
Não conseguem
sair daqui de dentro.
Aprisionados.
Você os encurralou.
Jogou-os do 10º andar.
Agora,
quer que eu os liberte.
Como?
Pra você,
eles estão mortos.
Não existem.
Com você,
não compartilham o mesmo lugar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2007
Código do texto: T718678

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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

STATUS QUO













Fotografia: Pôr-do-Sol
http://www.flickr.com/photos/fotos_ilca/304939534/

Ao entardecer,
com os cabelos
a entoarem a canção dos ventos,
enquanto caminhava pela paisagem,
ao ver o sangue que brotava de um pássaro:
assustei-me.
Andei depressa.
Apressei-me.
Como se sentisse uma vertigem.
Como se fosse este
o Instante Único,
por mim visitado.
Sentei-me no Banco do Jardim.
Que ficava no meio do emaranhado
dos meus pensamentos
e das árvores que adquiriram vida própria.
Absorto a idéias
pungentes
e dissolutas
que me levaram
ao estado em que me encontrava.
Desconexo. Alheio.
Perplexo.
Um cair
de chuva de verão
me levantou,
me levou de volta para casa.
Ao chão firme.
Ao já estabelecido.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717592

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UNO

Com o suor
a retirar o sal
do meu corpo
e a percorrer
o meu prazer
que havia adormecido.
Encontrei você.

Resgatei-me
no seu hálito,
no seu corpo,
no seu sexo.

Perdido, não mais estou.
Agora, não sou um.
Somos uno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717586

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

RAINHA DOS VENTOS

















Iansã

http://www.omo-obatala.net/OYA.html

Nem uma Brisa
a balançar meus cabelos.
Tudo parado. Estático.
Imóvel.
O sol do entardecer
a me queimar a pele.
Nem um Vento se levanta.
Só eu.
Que corro até a beira do mar.
E começo a movimentar as águas.
A barulhar.
Na tentativa de acordar Iansã
para vê-la reinar,
com o Vento a viver,
com o Vento a ventar.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716697

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SIMPLESMENTE ISSO

Ao balançar do vento
Ao apagar do tempo
Simplesmente isso
Descobri que te amo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716692

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TEMPO: TEMPO
















Fotografia: Ampulheta
http://nuieee.fe.up.pt/~ei00020/screen_shots?D=D


Enquanto o tempo
se debatia,
se rebelava,
adentrava à vida,
lá ia o homem à sua procura:
à procura de um tempo perdido,
vivido,
achado,
não encontrado
ou por viver.
Talvez,
tenha ficado no passado
ou no presente
ou, até, no futuro.
Disto, não podemos saber.
Ele nos escapa entre os dedos das mãos.
Em cada sinal de expressão surgido em nossa face.
A cada nova conquista.
A cada reconquista.
A cada imagem que vemos em nós surgir.
A cada detalhe.
A cada novo entalhe:
que nos traz o refinamento da vida,
do espírito,
da alma.
Tempo:
labirinto dos que sentem,
dos que amam,
dos que vivem intensamente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671804

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MULHER














Fotografia: Rosa
Acervo Pessoal

Mulher.
Mulher, quem és?
Alice?
Joana?
Maria?
Ou um outro nome qualquer?
Mas és mulher:
mulher da vida,
mulher da rua,
mulher do lar,
mulher bendita,
mulher de todo lugar.
Só a ti veneramos.
Só de ti necessitamos.
Em ti, a vida pulsa,
vida minha,
vida tua,
vida nossa.
“Bendito sois o fruto do vosso ventre:”
mulher.
Mulher do dia,
mulher da noite,
mulher de todo o dia,
mulher de todo o sempre.
Mulher tua.
Mulher minha.
Mulher nossa.
Simplesmente.
Mulher...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007
Código do texto: T670951

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BLECAUTE


















Fotografia: Blecaute
http://www.sinpro-rs.org.br/extra/abr99/capa_extra-pauta.htm

Na minha
infinita impaciência
de não querer
te compreender
e no teu
arrogante jeito
de não me escutar
de não me compreender.
Deparei-me com o Inusitado.

Blecaute.

Estou aos pedaços
me recompondo
silenciosamente
peça por peça.
Observado. Vigiado.
Escandalosamente
acalentado por você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714829

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LINHA CRUZADA

















Fotografia: Sinal Fechado



Estou num sinal semi-fechado.
Para onde seguir?
Os caminhos nem sempre são seguros.
Os obstáculos já são.
O que fazer?
Os sentimentos fervilham.
O coração palpita.
A vida escorre entre o doce amargo da minha boca.
Os olhos imóveis filtram o in-finito.
As mãos pendem à procura de um colo para acariciar.
As pernas tombam.
Perdem o equilíbrio.
Será que este equilíbrio existe?
Ou é só invenção?
Não importa.
Sei que estou atônito.
A procura do outro.
Do outro que sou eu.
Que é você.
A procura do eu.
Do eu escondido dentro de mim.


Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671805

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AO ESCREVER















Fotografia: Escrevendo
http://www.insidenet.com.br/administracao/imagens

Ao escrever
busco me soltar.
Desprender-me das amarras,
dos pré-conceitos, dos medos.
Despir-me.
Para o pensamento
bater asas e voar.
Voar tão alto, tão longe.
Sair de mim.
Transmutar-me
em outras pessoas,
conhecer outros sentires,
outros “viveres” viver.
Se belo,
as sensações que tive,
no papel ficará,
não me importa.
O que me importa
é que é poesia,
é energia criadora,
é o pulsar inquietante
do de dentro de uma pessoa,
que se machuca,
se lamenta,
se arrebenta,
se dói pra fazê-la brotar.
Quando nasce...
É Rebento.
Fruto Maduro.
A mim,
não mais pertence.
Pertence ao Mundo,
que ficará com o papel
de a ela Julgar, Apreciar,
Odiar ou Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714444

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