quarta-feira, 31 de outubro de 2007

STATUS QUO













Fotografia: Pôr-do-Sol
http://www.flickr.com/photos/fotos_ilca/304939534/

Ao entardecer,
com os cabelos
a entoarem a canção dos ventos,
enquanto caminhava pela paisagem,
ao ver o sangue que brotava de um pássaro:
assustei-me.
Andei depressa.
Apressei-me.
Como se sentisse uma vertigem.
Como se fosse este
o Instante Único,
por mim visitado.
Sentei-me no Banco do Jardim.
Que ficava no meio do emaranhado
dos meus pensamentos
e das árvores que adquiriram vida própria.
Absorto a idéias
pungentes
e dissolutas
que me levaram
ao estado em que me encontrava.
Desconexo. Alheio.
Perplexo.
Um cair
de chuva de verão
me levantou,
me levou de volta para casa.
Ao chão firme.
Ao já estabelecido.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717592

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UNO

Com o suor
a retirar o sal
do meu corpo
e a percorrer
o meu prazer
que havia adormecido.
Encontrei você.

Resgatei-me
no seu hálito,
no seu corpo,
no seu sexo.

Perdido, não mais estou.
Agora, não sou um.
Somos uno.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2007

Código do texto: T717586

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

RAINHA DOS VENTOS

















Iansã

http://www.omo-obatala.net/OYA.html

Nem uma Brisa
a balançar meus cabelos.
Tudo parado. Estático.
Imóvel.
O sol do entardecer
a me queimar a pele.
Nem um Vento se levanta.
Só eu.
Que corro até a beira do mar.
E começo a movimentar as águas.
A barulhar.
Na tentativa de acordar Iansã
para vê-la reinar,
com o Vento a viver,
com o Vento a ventar.
Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716697

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SIMPLESMENTE ISSO

Ao balançar do vento
Ao apagar do tempo
Simplesmente isso
Descobri que te amo.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007

Código do texto: T716692

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TEMPO: TEMPO
















Fotografia: Ampulheta
http://nuieee.fe.up.pt/~ei00020/screen_shots?D=D


Enquanto o tempo
se debatia,
se rebelava,
adentrava à vida,
lá ia o homem à sua procura:
à procura de um tempo perdido,
vivido,
achado,
não encontrado
ou por viver.
Talvez,
tenha ficado no passado
ou no presente
ou, até, no futuro.
Disto, não podemos saber.
Ele nos escapa entre os dedos das mãos.
Em cada sinal de expressão surgido em nossa face.
A cada nova conquista.
A cada reconquista.
A cada imagem que vemos em nós surgir.
A cada detalhe.
A cada novo entalhe:
que nos traz o refinamento da vida,
do espírito,
da alma.
Tempo:
labirinto dos que sentem,
dos que amam,
dos que vivem intensamente.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671804

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MULHER














Fotografia: Rosa
Acervo Pessoal

Mulher.
Mulher, quem és?
Alice?
Joana?
Maria?
Ou um outro nome qualquer?
Mas és mulher:
mulher da vida,
mulher da rua,
mulher do lar,
mulher bendita,
mulher de todo lugar.
Só a ti veneramos.
Só de ti necessitamos.
Em ti, a vida pulsa,
vida minha,
vida tua,
vida nossa.
“Bendito sois o fruto do vosso ventre:”
mulher.
Mulher do dia,
mulher da noite,
mulher de todo o dia,
mulher de todo o sempre.
Mulher tua.
Mulher minha.
Mulher nossa.
Simplesmente.
Mulher...

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007
Código do texto: T670951

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BLECAUTE


















Fotografia: Blecaute
http://www.sinpro-rs.org.br/extra/abr99/capa_extra-pauta.htm

Na minha
infinita impaciência
de não querer
te compreender
e no teu
arrogante jeito
de não me escutar
de não me compreender.
Deparei-me com o Inusitado.

Blecaute.

Estou aos pedaços
me recompondo
silenciosamente
peça por peça.
Observado. Vigiado.
Escandalosamente
acalentado por você.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714829

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LINHA CRUZADA

















Fotografia: Sinal Fechado



Estou num sinal semi-fechado.
Para onde seguir?
Os caminhos nem sempre são seguros.
Os obstáculos já são.
O que fazer?
Os sentimentos fervilham.
O coração palpita.
A vida escorre entre o doce amargo da minha boca.
Os olhos imóveis filtram o in-finito.
As mãos pendem à procura de um colo para acariciar.
As pernas tombam.
Perdem o equilíbrio.
Será que este equilíbrio existe?
Ou é só invenção?
Não importa.
Sei que estou atônito.
A procura do outro.
Do outro que sou eu.
Que é você.
A procura do eu.
Do eu escondido dentro de mim.


Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/09/2007

Código do texto: T671805

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AO ESCREVER















Fotografia: Escrevendo
http://www.insidenet.com.br/administracao/imagens

Ao escrever
busco me soltar.
Desprender-me das amarras,
dos pré-conceitos, dos medos.
Despir-me.
Para o pensamento
bater asas e voar.
Voar tão alto, tão longe.
Sair de mim.
Transmutar-me
em outras pessoas,
conhecer outros sentires,
outros “viveres” viver.
Se belo,
as sensações que tive,
no papel ficará,
não me importa.
O que me importa
é que é poesia,
é energia criadora,
é o pulsar inquietante
do de dentro de uma pessoa,
que se machuca,
se lamenta,
se arrebenta,
se dói pra fazê-la brotar.
Quando nasce...
É Rebento.
Fruto Maduro.
A mim,
não mais pertence.
Pertence ao Mundo,
que ficará com o papel
de a ela Julgar, Apreciar,
Odiar ou Amar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2007

Código do texto: T714444

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domingo, 28 de outubro de 2007

SINA
















Fotografia: Sina
http://gg.mop.com/img/sina

Todos temos uma sina.
Um destino a se cumprir.
Para uns, dizem os antigos:
o fardo é mais leve,
para outros, mais pesado.
Mas, todos,
a temos que realizar.
É como se fosse um sinal
que cada um carrega consigo.
Para muitos,
ela já nos vem traçada.
Para, outros, muitos,
nós mesmos a traçamos.
E, vivemos neste dilema:
Qual a minha missão a cumprir?
Se este encargo existe,
acredito que seja o de olhar para o outro.
O outro que está a meu lado.
E, como um espelho fosse:
esse outro sou eu.
Pois me reflete.
É igual a mim.
Perante todas as leis:
vinda dos céus
ou dos homens.
Portanto,
eu sou o outro
e o outro sou eu.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2007

Código do texto: T670960

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BRILHO














Título: Sol Brilhante - Praia do Centro
Rio das Ostras - RJ - Brasil
Fotografia cedida por Eduardo Moura

Brilho-manhã.
Brilho-dia.
Brilho-sol.
Brilho dos meus olhos.
Brilho dos teus olhos.
Brilho do teu corpo.
Brilho do meu corpo.
Brilho-noite.
Brilho dos nossos corpos.
Brilho dos nossos êxtases:
dos nossos encontros.
Brilho do espaço.
Espaço do céu.
Da lua.
Das estrelas.
Da vida.
De ti.
De mim.
De nós.
Brilho-amor.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2007
Código do texto: T673325

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Fotografia: Vento
http://www.manualedimari.it/blog?p=331


Com o vento
a Brincar
e a se Enroscar
em todo o meu Corpo,
desatei o Nó
que me prendia a Ti.

Agora
cada Um
segue o seu Caminho,
cada Qual
com seu Andar,
com seu Sonhar,
com seu Jeito de Encontrar.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 28/10/2007

Código do texto: T713334

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sábado, 27 de outubro de 2007

FURTO
















Fotografia: Sonho Fantasia

http://www.flickr.com/photos/murilografics/1261653496/

Queria
Roubar-te os Sonhos
Com eles Brincar
Vivê-los em mim
Não posso
São Teus
Os Meus são os Meus
Mas não consigo
Com eles encontrar
Estão Dispersos
Perdidos
E pela vidraça
Vejo a Chuva cair
Fortemente lá fora.

Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 27/10/2007

Código do texto: T712068

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ESPANTO


















Fototografia do Beija-Flor Bico-de-Agulha

http://www.flickr.com/photos/flaviocb/860726837/

Na volátil
Curva do tempo
Encontrei
No jardim
De um Edifício
No centro da Cidade
Um beija-flor
A retirar o néctar
Duma Flor de Pedra.
Sucumbi.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 27/10/2007

Código do texto: T711999

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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

INÉRCIA

























Fotografia: Equilíbrio
http://bitacoradefarrio.typepad.com/photos/bichos/equilibrio.html

Ponto de desequilíbrio.
Equilíbrio. Tonteante.
Ponto de deserção.
Sentimentos.
Soturnos. Difusos.
Ponto de ebulição.
Desencontros.
Desencantos.
Ponto de estagnação.
Encontros.
Ponto de encontro.
Busca.
De um sentir.
De um novo jeito de amar.
De se amar.
De gozar. Regojizar.
De viver.
Para que o tudo conquistado
Caminhe. Modifique.
Ponto a ponto.
Se instaure.
Saia da Inércia.

Edilmar Amaral
Publicado no Recanto das Letras em 15/10/2007
Código do texto: T695602

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PAIXÃO
















Fotografia: Paixão
http://lotus2.blogs.sapo.pt/

Sinto um cheiro
a me envolver,
a me rodear.
Fazendo-me bailar
num torpor
enebriante.
Sem medidas.
Despudorante.
Numa onda
de frio e calor.
Num Sol reluzente.
Quente.
Num Vento forte.
Num Vendaval.
Num Temporal.
Com sabores mil.
Cravo, canela, pimenta.
Não é Delírio.
È Paixão.
Paixão Violenta.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 26/10/2007

Código do texto: T710435

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

MACABU: TERRA-VIDA EM MIM



















http://www.estacoesferroviarias.com.br./


Em ti não acordei.
Mas, de ti, todo o meu passado herdei.
Em ti brinquei.
Soltei pipa.
Joguei bola.
Em tuas águas me banhei.
Em teu sol me queimei.
Neste vasto verde,
me encantei,
me encanto
e me encantarei.Tu, tornaste-me árvore frondosa
enraizada no teu solo,
no teu chão.
Chão que percorro descalço,
como um menino,
em busca de uma fruta caída, madura,
em tantos pomares espalhados por ti,
em busca da Maria Fumaça
que chegava
e embora ia,
trazendo e levando notícias:
pessoas que vinham e iam,
sem ou com destino.
E, você, sem nada nos prometer:
só uma nova espera.
E, nós,
com muita fé em Nossa Senhora,
de Conceição, da Conceição,
padroeira da nossa gente.
A Maria Fumaça não mais voltou.
Que pena!
Nos esqueceu.
Mas, o meu chão, ainda percorro.
Em pensamentos.
Em fantasias.
Em ilusões.
Em desilusões.
Em devaneios.
Em recordações
vividas,
sonhadas,
perdidas,
nunca esquecidas.
Sempre lembradas.
Relembradas.
Contigo cresci.
Aprendi.
Tornei-me uma árvore,
ainda mais frondosa.
Mas, por todos os cantos em que ando
só em ti penso.
És minha terra.
Meu lugar.
Meu lar.
E, “quando a indesejada das gentes chegar”*,
É neste céu, de um azul que não há descrição.
É neste chão, que tanto pisei,
que para todo o sempre quero, novamente, pousar.

* Menção a um verso de Manuel Bandeira.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 30/09/2007
Código do texto: T674738

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DESABAFO




















http://oblogdorapaz.blogs.sapo.pt/81635.html

Não sei como primas
pela grosseria.
Pela falta de cortesia.
Pela, sua constante,
Cara Amarrada.
Pela idiossincrasia.
Não consegues me ver feliz.
Tranqüilo. Pacato.
Tens de desestabilizar.
Desaprumar. Arruinar.
Cansar.
O pior
é que mexes
com o meu todo.
Físico.Essencial.
Não podes.
Não quero te permitir.
Prefiro me isolar.
Me calar.
Voltar pro casulo.
Me mumificar.
Do que estar exposto a ti.
E a teu humor desagradável.
Infernal.

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2007
Código do texto: T709585

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POETAR
















Fotografia da Obra de Rafael: Escola de Atenas

Poetizar
é magia de parturiente,
nascer de um rebento.
É escolher a palavra,
atentamente,
com a emoção aflorada,
por ela apaixonar-se,
limá-la, encaixá-la.
Se não convir, descarte-a.
Garimpe outra.
Assente-a no lugar delicadamente.
Se amoldar,
agora é lapidar.
Lapidá-la no poema,
no contexto.
Poetar.
Conseguir gemas raras
para o que teces não fenecer.
O poema não se abortar.
A nenhum ouvido pode ferir.
A todos os olhos procurar aglutinar.
Se conseguir suportar
toda esta Ebulição.
Agonia. Dor.
Se na Paciência persistir.
Se as palavras precisas
conseguiu peneirar.
Fique calmo.
A Poesia brotou.
Poeta.

Edilmar Amaral


Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2007
Código do texto: T709085

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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

MEDO





















Foto: Solidão


Sinto medo.
Muito medo
de tudo voltar.
Do mundo
que vive em mim parar.
Estou agoniado.
O peito pesado.
O corpo fraco.
A cabeça a zerar.
A entrar em pânico.
Não quero novamente
ao limiar da vida retornar.
Frio.
Muito frio.
Não pode.
Não pode
de novo acontecer.
Tenho de continuar.
Me levantar.
Tenho de andar.
Caminhar.
Ficar solto. Leve.
Independente. Ao teu lado.
Dependente de você

Edilmar Amaral

Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2007
Código do texto: T708046

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